Manifestantes regressam à Praça D. João I, organização fala em "folga"
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Os manifestantes que hoje se deslocaram da Praça D. João I à Câmara do Porto voltaram ao local inicial para continuarem o protesto pelo direito à habitação, tendo a organização comunicado "dias de folga".
Mais de mil pessoas que responderam ao apelo à concentração pelas 19:00 na Praça D. João I mudaram-se hoje para a frente da Câmara do Porto, pelas 19:50, voltando cerca de 20 minutos depois.
Na praça, ladeada por forte aparato policial após hoje de manhã terem ordenado a desmontagem da acampada, tinha decorrido um concerto de Clã, seguindo-se esta marcha.
No topo da Avenida dos Aliados, a polícia tinha já cortado a passagem ao trânsito, entretanto reaberto com o regresso dos manifestantes à praça.
Num curto comunicado divulgado durante a manifestação, a organização do Movimento Pela Habitação - Acampada do Porto garante que se reserva "o direito de desfrutar dos dias de folga concedidos caridosamente pela ação das forças policiais, a começar em dia de jogo do FC Porto", que hoje defronta o PSV Eindhoven no Estádio do Dragão.
"Por ora, não faremos (nenhum porta-voz) comunicados, declarações, participações ou entrevistas, em direto ou gravados, a nenhum veículo mediático. Sem querer alienar-vos do trabalho importantíssimo que prestam – no qual, pelo esmero até aqui empregado, agradecemos muitíssimo -, tomamos essa decisão estrategicamente", pode ler-se na nota.
Garantindo que "isto não acabou", prometem voltar "sábado, na praça, para manifestação - enquanto ainda podemos".
Os atuais protestos pelo direito à habitação e o custo de vida em Portugal tiveram início na cidade do Porto, no dia 10 deste mês, com cerca de 1.500 manifestantes a juntarem-se na Praça D. João I e a pernoitarem no local em tendas de campismo.
Nesse dia, a plataforma cívica "Não dá mais para viver assim" promoveu protestos também em Aveiro, Braga e Lisboa reivindicando o controlo dos preços dos bens essenciais e dos combustíveis, impostos sobre os lucros extraordinários das grandes empresas do setor bancário, energético e da distribuição e medidas que respondam à crise na habitação.
No dia 15, o movimento que protestava no Porto, já no formato de uma acampada, denunciou uma carga policial violenta durante a madrugada que causou ferimentos em 39 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave, e num polícia, e à noite cerca de três mil pessoas juntaram-se aos manifestantes iniciais, mas acabaram por dispersar.
As tendas voltaram ao local no sábado e a acampada alastrou nesse dia à cidade de Lisboa. Hoje de madrugada, enquanto o protesto da cidade nortenha foi terminado perante os avisos de intervenção policial, as autoridades removeram dezenas de tendas na capital e detiveram 55 pessoas por desobediência, entretanto libertadas que serão ouvidas na quarta-feira por um juiz.
Novas assembleias populares estão marcadas para hoje nas duas cidades e em outras, como Coimbra ou Faro.
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