Manifestantes de Portimão criam grupos de trabalho para definir ação
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Cerca de uma centena de pessoas concentrou-se hoje na Praça do Município de Portimão, numa acampada de protesto pela habitação, que decidiu, em assembleia popular, criar vários grupos de trabalho para definir ações e reivindicações no barlavento algarvio.
Cristina Negrão, porta-voz da acampada de Portimão, disse à agência Lusa que ficou decidido "criar grupos de trabalho" para "construir um texto" que vai ser apresentado à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve com as reivindicações dos manifestantes para dar resposta ao problema da habitação no Algarve.
Vai também ser criado um grupo para fazer o "mapeamento da situação" da habitação no barlavento algarvio, saber quantas casas estão devolutas ou que medidas podem ser adotadas ao nível camarário, indicou.
"Outro grupo de trabalho vai ficar mais focado em pensar como é que podemos reativar modelos de autogestão, como por exemplo o SAAL e projetos desse género aqui no Algarve", adiantou.
Em análise vão estar também as "questões da mobilidade", que Catarina Negrão classificou como um "grande problema no Algarve" com efeitos na área da habitação.
Catarina Negrão disse ainda que a meio da semana deverá ser convocada uma nova Assembleia e, no dia 14, realizada uma manifestação.
"Decidimos como é que nos íamos organizar a nível das reivindicações e como é que queremos agir no território relativamente à crise da habitação", afirmou, referindo que um grupo de manifestantes vai pernoitar em cerca de uma dezena de tendas que foram instaladas na Praça do Município de Portimão.
Além de Portimão, outras cidades portuguesas, como Lisboa, Porto, Aveiro ou Viana do Castelo, também têm sido palco de protestos pela habitação.
O custo elevado e as dificuldades de acesso à habitação estão na origem de um conjunto de protestos que ao longo das últimas semanas têm marcado a atualidade em Portugal e outros países da Europa, alguns dos quais marcados por violência policial e detenções de manifestantes.
O presidente da República, António José Seguro, apelou aos principais partidos portugueses para que encontrem soluções comuns que permitam dar resposta ao problema da habitação, mas as reuniões entre do Governo da AD (PSD/CDS-PP) com o Chega e o PS terminaram sem acordos.