MAI teve "apenas palavras elogiosas sobre o trabalho que desenvolvi"
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O ex-secretário-geral do Ministério da Administração Interna (MAI), Ricardo Carrilho, manifestou surpresa quanto ao comunicado emitido esta segunda-feira pela tutela, no qual o ministro da Administração Interna, Luís Neves, justificou a exoneração do antigo responsável com "diversas situações que comprometeram o funcionamento dos serviços, a articulação institucional e a execução de políticas públicas do Governo", algumas "de particular gravidade".
"Gostava de manifestar a minha total surpresa relativamente a este comunicado, que terá sido emitido pelo MAI. Esta surpresa fica associada ao facto de, nas declarações que o senhor ministro prestou aquando da reunião comigo, ter tido apenas palavras elogiosas relativamente ao trabalho que desenvolvi enquanto secretário-geral e aos resultados que foram alcançados no último ano", disse Ricardo Carrilho, em declarações à CNN Portugal.
O antigo secretário-geral asseverou ser "absolutamente falso que tenha havido qualquer tipo de manobra da parte da secretaria-geral no sentido de proceder a mecanismos dilatórios quanto aos pagamentos à SIRESP SA", do mesmo modo que "é absolutamente falso que tenha havido qualquer esforço no sentido de alterar o tal centro de operação e gestão do SIRESP neste verão - é mentira".
"O centro de operação e gestão já estava na SIRESP SA desde 2022. Portanto, é no mínimo curioso que o ministro venha agora alegar isto quando, na prática, os elementos da GNR e da PSP, que fazem parte deste centro de operações, estavam, estão e continuarão, tanto quanto é do conhecimento público, a desempenhar funções na dependência da SIRESP SA. E, por último, é falso que haja aqui uma perspetiva de devolução à Comissão Europeia de 4,5 milhões de euros, é integralmente falso", atirou.
Ricardo Carrilho indicou haver "de facto, um relatório da Inspeção-Geral de Finanças que determina, enquanto autoridade da auditoria, que o montante em causa, que foi invocado em termos de pedidos de pagamento por parte da GNR, é considerado como uma despesa não legítima e, ao ser integrado, voltará a ser alocado a concurso para as forças de segurança".
De notar que ex-secretário-geral considerou que a sua exoneração foi "um ato de retaliação", acusando Luís Neves de "pressões ilegítimas" e "de uma interferência política asfixiante", num artigo de opinião publicado no Expresso. O MAI, por seu turno, listou situações "que comprometeram o funcionamento dos serviços, a articulação institucional e a execução de políticas públicas do Governo", incluindo alguns "episódios de particular gravidade".
"O afastamento daquele dirigente, no quadro da reestruturação orgânica da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, foi determinado pela necessidade de encontrar um perfil adequado e comprometido com os objetivos políticos e estratégicos do Ministério da Administração Interna, enquadrados no programa do Governo. Um vasto conjunto de episódios, que antecederam a decisão agora tomada, tornaram insustentável a relação com a tutela, com entidades tuteladas e com outras áreas governativas", lê-se no comunicado emitido pela tutela.
O organismo considerou ainda que as declarações de Ricardo Carrilho "enfermam de uma contradição essencial: ao mesmo tempo que, para se autoelogiar invoca resultados ‘ímpares e sem qualquer paralelo no MAI’, correspondentes à atual governação, insinua uma suposta 'paralisia e estrangulamento' no Ministério, a qual, efetivamente, não existe".
Para o cargo de secretário-geral do MAI, Luís Neves designou hoje o major-general da GNR Nuno Parreira da Silva.
O afastamento de Ricardo Carrilho acontece cerca de quatro meses depois de o secretário-geral adjunto do MAI, António Pombeiro, se ter demitido do cargo depois de ser conhecida a renomeação do general Paulo Viegas Nunes para a liderança da empresa que gere o SIRESP.