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"Lula paz e amor" conclui noite de acampada para muitos no Rossio

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"Lula paz e amor" conclui noite de acampada para muitos no Rossio (Foto: Reprodução)

Gritos de ordem a favor de Lula da Silva, vencedor das eleições presidenciais brasileiras de domingo, marcaram os últimos momentos de hoje da acampada no Rossio, em Lisboa, unindo os portugueses e brasileiros nos gritos contra o fascismo.

 

"O é, o é, Lula" e "Grândola Vila Morena" foram cantadas à vez nas primeiras horas de hoje na praça do Rossio, depois de o Presidente brasileiro ter conseguido a reeleição.

O português Luís Friezas levava a 't-shirt' vermelha com a cara de Lula da Silva e celebrava efusivamente a "vitória contra Trump", abraçado a amigos brasileiros e portugueses.

"É uma vitória contra Trump, contra a doutrina Monroe, contra o imperialismo dos Estados Unidos", afirmou o jovem, que integra os protestos pela habitação, desde a primeira hora.

O brasileiro Bruno, com a camisola da seleção brasileira (típica dos apoiantes de Flávio Bolsonaro, o candidato derrotado), era um dos que se abraçava a Luís.

"Esta camisola é minha, é nossa. Posso ser patriota sem ser fascista", disse o jovem, que não esperava uma vitória de Lula.

"Eu já estava preparado para ir para casa, triste. Nunca pensei que aconteceria isto", disse à Lusa.

Contudo, Bruno sabe que os próximos quatro anos vão ser difíceis: "ele não tem Senado nem congresso. Mas pelo menos resistimos ao fascismo".

Durante esta legislatura, é "necessário construir uma solução vitoriosa de novo", porque "ele [Flávio Bolsonaro] vai continuar por cá e o Lula já não pode concorrer de novo", avisou.

A vitória de Lula da Silva foi acompanhada com atenção pelos manifestantes no Rossio, com muitos telemóveis conectados nos resultados eleitorais.

Esta noite, ao contrário de outros momentos, era visível uma menor mobilização de ativistas brasileiros, imigrantes que ajudavam na animação da acampada.

"Eles hoje tinham mais com que se preocupar, nós compreendemos. Até porque ganharam e tudo", diz Artur Santiago, um dos participantes de sempre destas ações que andou no sábado a fugir à PSP.

"Foi um brasileiro que ajudou o meu grupo, levou-nos para uma porta aberta de um prédio", evitando a carga policial, recordou.

Para esta noite, o movimento decidiu desmobilizar, mas a festa em celebração do Brasil vai continuar.

"Não há por aí uma caipirinha", questionou uma das manifestantes, depois de cantar "O Trem das Onze", de Adoniran Barbosa, que tem como refrão "Não posso ficar", para respeitar a decisão da organização de desmobilizar o protesto desta noite.

Os promotores preferiram concentrar-se nas vigílias para hoje de manhã e de tarde no campus de justiça, para acompanhar os interrogatórios judiciais aos detidos.

Contudo, ainda permaneciam dezenas de pessoas na praça, mas sem sinais das tendas que têm motivado a tensão com a polícia.

Luiz Inácio Lula da Silva foi hoje reeleito na segunda volta das eleições presidenciais do Brasil, com 51,75% dos votos, para o quarto mandato como chefe de Estado, e fez história como o primeiro candidato a vencer depois de ter perdido na primeira volta.

Lula da Silva conseguiu 63.388.523 votos, contra os 59.099.143 de Flávio Bolsonaro, quando estavam contabilizadas 98,76% das secções de voto.

AO MINUTO: Lula da Silva reeleito presidente do Brasil

Acompanhe aqui AO MINUTO a segunda volta das eleições no Brasil.

Notícias ao Minuto | 11:47 - 25/10/2026