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Lee Ufan estreia-se em Portugal com "Fragmentos do Infinito" a Serralves

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Lee Ufan estreia-se em Portugal com "Fragmentos do Infinito" a Serralves (Foto: Reprodução)

O pintor e escultor sul-coreano Lee Ufan estreia-se em Portugal com a exposição "Fragmentos do Infinito", no Porto, que inclui três esculturas ao ar livre e uma obra meditativa feita em oito dias na Casa de Serralves.

 

"Hoje em dia, com o desenvolvimento da inteligência artificial, nós conseguimos obter resposta de forma imediata e muito rápida. Mas, na minha opinião, a minha arte e a arte tem de ser algo que não seja imediato", disse o artista no final de uma visita guiada na Casa de Serralves, feita pelo curador Philippe Vergne, antigo diretor do Museu de Serralves.

Em declarações passadas de japonês para português por uma tradutora, Lee Ufan, nascido em 1936 e que trabalha entre Kamakura (Japão) e Paris, salientou a importância de trabalhar em "algo que seja interação" com o objetivo de "ecoar" e proporcionar "uma experiência de encontros" na exposição patente a partir de sexta-feira, até 07 de março.

"Queria proporcionar uma experiência não quotidiana", disse sobre o seu trabalho na Casa de Serralves e nas redondezas, já que há também três esculturas espalhadas pelo parque, bem como quatro pinturas meditativas.

Aos jornalistas, disse valorizar "o processo, as coisas serem feitas com calma", envolvendo "o físico, aquilo que é palpável, a natureza, o universo, o relacionamento das coisas".

Phillippe Vergne salientou que "todo o trabalho" de Lee Ufan "é baseado na identificação, na revelação, no trio de relações visuais, relações intelectuais, relações estéticas", evidenciando as noções de "encontro, diálogo, e 'relatum', algo relatado", conceito que dá nome a uma série de trabalhos.

Em "Relatum", incluem-se "Relatum - The Sky Road [A Estrada do Céu]" (2026), "Relatum - Dialogue [Diálogo]" (2026) e "Relatum - Jump Stand [Plataforma de Salto]" (2026), "todas construídas a partir do encontro entre grandes pedras e placas de aço", estando também patentes "Relatum - Silentium" (2026), que coloca uma pedra diante de uma tela; "Relatum - The Dream of Stone [O sonho da pedra]" (2026), que estabelece um encontro entre pedra e luz; e "Relatum - Dwelling [Habitação]" (2026), na qual "pedras delicadamente sobrepostas" cobrem o chão do átrio da Casa de Serralves.

Sobre esta obra, composta por várias lousas negras com alguma instabilidade, Lee Ufan contrasta a Casa de Serralves, "um edifício com uma história um pouco antiga", com o "pensar num prédio mais primitivo, não perfeito".

"Quero que todos experimentem um espaço tão incompleto, tão incompleto, que possam experimentar a natureza", algo com "quase a idade dos primórdios dos seres humanos", em que "as pessoas caminham e fazem estes sons de chocalhar", sentindo isso "em termos do corpo e dos sentidos".

Já sobre a obra que executou em oito dias na Casa de Serralves, admitiu que "à primeira vista pode parecer uma pintura", mas para si "é uma escultura", pretendendo que "se interprete como sendo algo espacial, tridimensional".

"'Fragmentos do Infinito' propõe uma reflexão rigorosa sobre as relações entre interior e exterior, objeto e paisagem, e sobre a experiência percetiva que o artista tem vindo a desenvolver ao longo do seu percurso", destaca Serralves sobre a exposição que apresenta ainda quatro pinturas da série "Response", de 2023 e 2025.

Philippe Vergne lembrou que "o primeiro marco" de Lee na arte e cultura "foi com o pensamento, como escritor e crítico", destacando os escritos dos anos 60 e 70 do século XX "que influenciaram gerações de artistas avant-garde na Ásia e em todo o mundo, mais especificamente o movimento japonês 'avant-garde' chamado Mono-ha, a Escola das Coisas".

Esse movimento utilizava "materiais brutos e não transformados, como pedra, madeira, metal e vidro, dispondo-os em justaposições simples, mas de grande intensidade", tendo Lee Ufan desempenhado "um papel fundamental na deslocação do foco da arte contemporânea da representação para o encontro direto com os materiais e com as relações espaciais que estes estabelecem entre si".

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