Joaquim Chissano visita Folio e sublinha importância da cultura para a paz
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O ex-Presidente da República de Moçambique Joaquim Chissano defendeu hoje no Folio – Festival Literário Internacional de Óbidos que a cultura é muito importante para a paz, um valor fundamental para o seu país.
"Há pessoas que pensam que a cultura é o desenho, a pintura, a escultura, a arquitetura, mas nós, na Fundação Joaquim Chissano, entendemos a cultura muito mais acima", afirmou Joaquim Chissano, em Óbidos, onde hoje participa no Folio para "aprender como desenvolver projetos" que possam ser replicados no seu país.
"A cultura é muito importante para paz e a paz é fundamental", afirmou o ex-chefe de Estado, fundador e presidente da Fundação Chissano, durante a visita ao festival literário e à vila, no distrito de Leiria, com a qual pretende "aumentar a cooperação" em projetos que contribuam "para o desenvolvimento humano" e para que os povos possam ter "uma vida digna".
A visita de Joaquim Chissano a Óbidos foi aproveitada pelo antigo chefe de Estado para dar a conhecer o trabalho da fundação que criou em 2024, enquanto Presidente da República, para dar continuidade ao trabalho que havia iniciado em três áreas: a promoção da paz, o desenvolvimento socioeconómico e cultural e a identidade em Moçambique e na região da África Austral.
No Folio, presidiu à entrega do Prémio Literário Fernando Leite Couto, que distingue e promove novos autores moçambicanos em língua portuguesa.
Na sua 8.ª edição, o prémio distinguiu Crimildo Matola, com a obra "O Último Segredo da Nação", que, disse hoje o autor, se situa "nos anos 50 e 60, retratando a luta pela liberdade e a resistência do povo moçambicano".
De acordo com o júri que selecionou a obra de Crimildo Matola, o livro trata "de forma aguçada e inteligente os problemas de uma época em que a maioria negra não tinha voz em Moçambique e onde a vida de grande parte dos cidadãos era desvalorizada".
O prémio, instituído pela Fundação Fernando Leite Couto (pai do escritor Mia Couto), é, desde a primeira edição, entregue no Folio, dando oportunidade aos vencedores de realizarem uma residência literária em Óbidos.
O Folio decorre até ao dia 18, sob o lema "Para além da pele", levando à vila o Nobel da literatura Jon Fosse, além de 450 autores que participam em cerca de 300 iniciativas, entre conversas, oficinas, debates, apresentações, exposições e lançamentos de livros.