Irlanda: "Provável" que ameaças sejam parte de "campanha coordenada"
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O Governo irlandês considerou hoje "provável" que a vaga de falsos alertas de bomba que tem atingido a aviação europeia nos últimos dias faça parte de "uma campanha coordenada destinada a causar perturbações".
Depois de vários órgãos de comunicação social irlandeses também terem sido hoje alvo de ameaças de bomba, o executivo de Dublin divulgou um comunicado no qual observa que "estas ameaças surgem na sequência das perturbações na aviação europeia, alvo de ameaças semelhantes, e parece provável que se trate de uma campanha coordenada destinada a causar perturbações".
"As falsas ameaças deste tipo provocam medo, angústia e perturbações na vida quotidiana das pessoas e nas suas atividades. Não têm, de forma alguma, qualquer objetivo positivo", acrescentou o Governo no comunicado.
Dublin admite, no entanto, que, nesta fase, não é possível determinar quem são os responsáveis pela onda de falsos alertas de bomba, ainda que alguns tenham sido reivindicados, em correios eletrónicos enviados para aeroportos italianos, por uma célula extremista russa, que remete para um movimento russo ultranacionalista e misógino - já conhecido das autoridades internacionais - fundado por Vladislav Pozdnyakov e proibido na Rússia.
À semelhança do sucedido nos últimos dias, autoridades de toda a Europa relataram hoje uma nova vaga de ameaças de bomba contra diversos voos comerciais, incluindo um avião da Ryanair que iria sair do aeroporto de Lisboa com destino a Roma, o que forçou a uma vistoria de segurança do aparelho por elementos da Unidade Especial de Polícia (UEP), confirmada pela PSP.
Em todos os casos, as ameaças revelaram-se falsas, mas aumentam as preocupações com ataques híbridos, num momento em que a Europa lida com outras perturbações recentes, tais como recorrentes ataques a sistemas de refrigeração de supermercados em vários países e incursões de drones.
Depois de, na quinta-feira, se terem registado pelo menos 25 falsos alertas de bomba relativos a ligações no espaço aéreo europeu – incluindo um voo que saiu do Porto com destino a Milão, Itália –, hoje foram também já várias as capitais a darem conta de ameaças de bomba que, em vários casos, forçaram ao desvio de voos, por vezes escoltados, e aterragens de emergência.
Na Hungria, o ministro da Defesa afirmou que caças militares escoltaram três aviões de passageiros distintos pelo espaço aéreo do país, no espaço de uma hora, na sequência de ameaças de bomba, precisando que se tratava de voos de Bruxelas para Sófia e de Praga para Chipre e Roménia.
Também o gabinete do primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, informou hoje que "foram feitas hoje quatro novas ameaças de bomba contra aeronaves que sobrevoavam o território francês", tendo os aviões aterrado em segurança no Aeroporto de Orly, em Paris, onde peritos em desativação de bombas realizaram as necessárias inspeções.
Outros incidentes incluíram ameaças contra um voo de Praga para Bucareste operado pela companhia aérea romena Tarom, e um outro também com partida da capital checa, operado pela WizzAir, com destino a Roma, que acabaria por ser desviado para Veneza.
Em Copenhaga, a polícia dinamarquesa informou que se deslocou ao aeroporto pelo segundo dia consecutivo "devido a ameaças dirigidas ao tráfego aéreo".
Face a esta situação, a Comissão Europeia anunciou hoje que ativou um mecanismo de partilha de informações entre os Estados-membros para coordenar a resposta às ameaças de bomba.
"Neste momento, a nossa função é coordenar os Estados-membros, de modo a garantir uma visão global e completa do que está a acontecer. Por esse motivo, o comissário responsável pelos Transportes, Apostolos Tzitzikostas, esteve ontem [quinta-feira] em contacto com a nossa Agência da União Europeia para a Segurança da Aviação [EASA] e ativámos o mecanismo de partilha de informações ao nível da UE", disse hoje a porta-voz do executivo comunitário para a área dos Transportes, Anna-Kaisa Itkonen.
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