Mais previsões: Meteorologia 25 dias

PUBLICIDADE

IL quer sentar partidos à mesa sobre habitação."Cinismo"? As respostas

...


                    IL quer sentar partidos à mesa sobre habitação.
IL quer sentar partidos à mesa sobre habitação."Cinismo"? As respostas (Foto: Reprodução)

A presidente da IL anunciou que vai convidar os líderes de todos os partidos com assento parlamentar para uma "conversa aberta e franca" sobre a habitação. A ideia é encontrar consensos que permitam responder à crise no setor, mas o convite parece não estar a ser bem acolhido nem pela Esquerda... nem pela Direita.

 

"Nós vamos convidar os líderes partidários dos vários partidos com assento parlamentar a sentarem-se à mesa connosco, para podermos ter uma conversa aberta, franca, com propostas, e tentarmos chegar a consensos", anunciou esta terça-feira Mariana Leitão, em declarações aos jornalistas após uma reunião com a Confederação Empresarial de Portugal (CIP).

A líder dos liberais disse que o objetivo é encontrar soluções que se tornem "uma realidade o mais depressa possível", em vez de "processos legislativos que se arrastam durante meses, que muitas vezes acabam por nem sequer ver a luz do dia".

Questionada sobre se pretende promover reuniões individuais ou um encontro com todos os partidos em simultâneo, Mariana Leitão esclareceu que o objetivo é que "se sentem todos à mesa", dependendo da disponibilidade das forças políticas.

As respostas, contudo, não foram muito positivas.

O porta-voz do Livre, Jorge Pinto, assumiu que o seu partido "está sempre aberto para discussões", mas considerou o convite da Iniciativa Liberal "no mínimo irónico".

"É no mínimo irónico que o mesmo partido que apoiou convictamente, achando que não vai longe sequer o suficiente, o novo regime de arrendamento urbano proposto pelo Governo, venha agora dizer, se calhar pela pressão das ruas, que é preciso encontrar soluções. As soluções existem, mas são certamente no caminho oposto daquilo que a Iniciativa Liberal propõe", defendeu Jorge Pinto.

"O Livre tem trazido para cima da mesa uma série de discussões relativas à habitação", acrescentou, em declarações no Parlamento. "O que nós queremos é um Estado que assuma as suas responsabilidades no campo da habitação. É um novo ímpeto às políticas de habitação cooperativa, tal como já existiu no passado no país e são políticas fiscais também, mas direcionadas para a classe média, direcionadas para aqueles que estão afastados da habitação, a um preço que consigam pagar e que não venham aquecer ainda mais o mercado e que não venham trazer ainda mais incerteza ao mercado, como é o que acontece com as políticas que a Iniciativa Liberal propõe."

A líder parlamentar do PCP afirmou hoje que o partido não estará presente na reunião proposta pela IL sobre habitação, acusando os liberais de "descaramento e cinismo" e de serem corresponsáveis pelos problemas no setor.

Em declarações aos jornalistas no Parlamento, Paula Santos, questionada sobre o convite dirigido pela presidente da IL, Mariana Leitão, aos líderes partidários para uma reunião conjunta sobre habitação, afirmou que não há "ponto de encontro possível" com os liberais, porque, argumentou, "são corresponsáveis daquilo que está a acontecer".

"É de um enorme descaramento e cinismo por parte da Iniciativa Liberal, porque a verdade é que este partido, ao longo de todo este tempo e na sua intervenção, tem-se comportado como os porta-vozes dos fundos, como os porta-vozes da banca, dos interesses dos grandes proprietários. A sua intervenção é exatamente no sentido de promover a especulação imobiliária", criticou.

O presidente do Chega, André Ventura, foi questionado sobre o convite de Mariana Leitão durante uma entrevista ao programa "Importa-se de repetir?", na SIC Notícias, onde defendeu que a solução para o problema só pode ser decidida pelo seu partido em conjunto com PSD e PS.

"A Iniciativa Liberal conta pouco neste momento. Do ponto de vista parlamentar, isso não tem nenhum impacto na vida das pessoas", afirmou. "Isto pode ser decidido apenas e exclusivamente por dois partidos: pelo Chega, pelo PS e pelo PSD. Não vale a pena andarmos a andarmos a multiplicar-nos em reuniões, a falarmos através de jornalistas, de uns para os outros, senão percebermos o óbvio."

Na ótica de André Ventura, para resolver o problema é necessário "deixar de entrar gente descontroladamente no nosso país - porque precisam de casa e não há casas para eles". Por outro lado, é também preciso "percebermos que temos de pegar no Orçamento do Estado e dar apoios a quem está a pagar renda e a quem tem crédito à habitação". 

O presidente do Chega reconhece que o responsável pela crise da habitação não é só fluxo migratório, mas é "um deles".

João Almeida, do CDS-PP, também foi questionado sobre o convite dirigido pela presidente da IL, Mariana Leitão, aos líderes partidários para uma reunião conjunta sobre habitação. O deputado disse compreender a proposto, mas considerou não fazer "grande sentido" ser um partido a liderar este tipo de discussão.

"O fundamental é aquilo que conseguirmos fazer, não é propriamente o método, certamente que esse funcionará no quadro da Assembleia da República e nós estamos em véspera do debate do Orçamento, é o quadro ideal para isso", considerou.

Leia Também: Habitação? Equipa médica responde a ansiedade, medo e cansaço extremo