IL acusa PCP e BE de instigarem escalada de manifestações no Porto
...
A líder da Iniciativa Liberal acusou hoje o PCP e o BE de estarem a "instigar a escalada" das manifestações pela habitação no Porto e indicou ter recebido informações de que a polícia terá agido em conformidade com a lei.
Em declarações aos jornalistas em Bruxelas, onde participou numa reunião do grupo político europeu liberal Renew Europe, Mariana Leitão afirmou que se está a assistir a um "escalar" das manifestações no Porto, com "instigação por parte de alguns partidos de extrema-esquerda".
Questionada sobre a que partidos se referia, a líder da IL respondeu que "há dois diretos", começando por destacar o BE.
"Há um vídeo do seu coordenador nesse sentido, nas redes sociais, é só irem consultar", afirmou, alegando também que a eurodeputada do BE Catarina Martins está a ir para o Porto "exatamente com esse objetivo de, através de uma instigação, que a situação escale".
"Até aproveitando exemplos de outros países onde isso tem acontecido e, de alguma forma, tentar fazer um aproveitamento político e tentar ter alguma relevância que, infelizmente ou felizmente, não teve via votos", acusou.
No que se refere ao PCP, Mariana Leitão pediu que se vejam as declarações do secretário-geral do partido, Paulo Raimundo, no último debate quinzenal.
"A declaração que Paulo Raimundo faz, quase a ameaçar que as pessoas vão começar a ir para a rua e vão-se manifestar, mas não é manifestarem-se pacificamente, vão-se revoltar… Isso parece-me que, em tom de ameaça, é de facto uma forma de instigar também a que as coisas escalem que é algo que, acredito, ninguém quer", afirmou.
Mariana Leitão apelou a que as manifestações não escalem, salientando que "é óbvio que as pessoas têm todo o direito de se manifestar, de ir para a rua, de fazer as suas manifestações".
"Agora, isso tem de ser feito em cumprimento daquilo que é a lei e as regras que estão instituídas", defendeu.
Questionada se lhe parece que as forças policiais fizeram um uso proporcional da força, Mariana Leitão indicou que a informação que tem é que agiram "dentro daquilo que é a conformidade da lei".
"Obviamente que isso ainda estará a ser apurado – e certamente será devidamente apurado – agora, à partida, sim, terá feito uma intervenção de acordo com aquilo que está estabelecido, com as regras que estão em vigor", afirmou, apesar de salientar que, se não tiver sido o caso, será "devidamente alvo de condenação".
"Agora, o que é importante, parece-me, é que não se permita que estas situações ganhem proporções que ninguém no país quer. As pessoas querem pacificação, querem obviamente viver em tranquilidade e não sentir que têm as ruas ocupadas ou que os manifestantes possam ser alvo de violência exagerada. Ninguém quer isto", afirmou.
O movimento pela habitação que tem protestado no Porto desde sábado denunciou uma carga policial esta madrugada que causou ferimentos em 37 dos participantes, dois dos quais ficaram em estado grave.
De acordo com o movimento, entre os feridos está uma pessoa com deficiência e vários participantes na concentração foram hospitalizados.
Em reação, a PSP alegou que "as reuniões e manifestações em lugares públicos não podem prolongar-se para além da 00:30" e que os manifestantes no Porto adotaram "comportamentos de resistência", que levaram à atuação policial, provocando "alguns feridos".
A PSP disse ter conhecimento de feridos entre os manifestantes, mas acrescenta que ainda não é "possível indicar o seu número".