Houtis atacam cidade sitiada no Iémen que ONU diz estar em "grave risco
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Os rebeldes Houthi apoiados pelo Irão atingiram hoje uma área residencial da terceira maior cidade do Iémen e mataram duas adolescentes, renovando a atenção sobre os civis em Taiz, que tem estado sob ataque e cerco durante o conflito.
Os Houthis cercaram em grande parte Taiz, cortando-lhe a maioria das rotas de abastecimento e colocando os civis em "grave risco", disse hoje o chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk.
A ONU afirma que o cerco à cidade estrategicamente importante no sudoeste do Iémen deixou muitos residentes sem comida e outros bens essenciais e os preços disparam.
O ataque a Taiz ocorreu um dia depois de um outro também dos Houthi a um acampamento militar do governo, que matou 73 recrutas, o mais mortal desde o recomeço do conflito no país durante o verão, de acordo com um alto funcionário do governo iemenita.
O conflito intensificou-se desde que as forças do governo, internacionalmente reconhecido, e da coligação liderada pela Arábia Saudita, que apoio o Executivo iemenita lançaram ataques aéreos contra as áreas controladas pelos Houthis.
O Aeroporto Internacional de Sanaa, controlado pelos Houthi, em julho, quebrou um acordo de cessar-fogo de 2022 que tinha praticamente parado os combates na guerra civil do país.
O Iémen tornou-se uma frente cada vez maior na guerra com o Irão, que começou em fevereiro, e os Houthi têm lançado ataques cada vez mais frequentes contra a Arábia Saudita, porque apoia o governo do Iémen.
A Grã-Bretanha disse hoje que iria expandir o seu apoio militar à Arábia Saudita para incluir patrulhas aéreas "defensivas" com jatos da Royal Air Force.
A ONU diz que o cerco Houthi a Taiz coloca o risco de uma crise humanitária. Combates pesados entre os Houthis e as forças do governo iemenita causaram danos extensos numa área residencial densamente povoada de Taiz.
Seis pessoas ficaram feridas no ataque mortal dos Houthis ali.
Uma porta estratégica para o sul do Iémen, Taiz tem sido um ponto focal de combates desde que a guerra civil começou há mais de uma década, é também um dos centros históricos e culturais mais importantes do Iémen.
Os combatentes Houthis voltaram a avançar sobre Taiz no mês passado, após capturarem a cidade portuária de Mokha, uma área vital para controlar o transporte marítimo pelo Mar Vermelho.
Os Houthis cercaram Taiz como parte da sua ofensiva prolongada, atacando repetidamente as forças do governo iemenita com mísseis e artilharia.
"A ajuda humanitária deve ser imediatamente autorizada a entrar na cidade e a sua passagem deve ser facilitada. Os civis que desejem sair devem ter permissão para o fazer livremente e em segurança," disse Türk, chefe de direitos humanos da ONU. E pediu aos Houthis e às forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita que evitassem usar armas explosivas em áreas onde pudessem atingir civis e infraestruturas civis.
A Arábia Saudita disse hoje que intercetou um míssil balístico lançado pelos Houthis, mas o país tem tido dificuldades em defender-se contra os ataques de mísseis e drones do grupo rebelde, apesar de armas muito superiores fornecidas pelos EUA.
"A Arábia Saudita está numa posição muito difícil", mas os Estados Unidos não estão preparados para enviar tropas para ajudar aquele país, disse Tom Barrack, o enviado dos EUA para a Síria e o Iraque, no Fórum de Segurança Global em Doha, Qatar.
Barrack afirmou que o Presidente Donald Trump "tem sido claro ao apoiar a Arábia Saudita, e o apoio logístico de que eles precisam nós vamos fornecer, mas envolver a América numa batalha terrestre noutro lugar parece inútil".
O Secretário de Defesa do Reino Unido, Wes Streeting, disse que a expansão do apoio do Reino Unido à Arábia Saudita inclui patrulhas defensivas para proteger as cidades sauditas de ataques. Isso significa que aviões britânicos atacariam mísseis ou drones no ar, mas não atingiriam alvos Houthi no solo.
O governo egípcio também vai enviar sistemas de defesa aérea e aeronaves para ajudar a repelir mísseis e drones disparados contra a Arábia Saudita, mas não vai enviar tropas terrestres para o Iémen, segundo um funcionário regional que foi informado sobre o assunto.
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