Habitação: Populares alertam que acesso "é cada vez mais difícil" em Vila Real
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Cerca de uma centena de pessoas juntou-se hoje, no centro de Vila Real, para alertar que nesta cidade do interior também o acesso à habitação é "cada vez mais difícil" para famílias e estudantes.
Os populares responderam à chamada do coletivo "Não dá mais para viver assim" e juntaram-se em frente ao Tribunal de Vila Real para participar numa assembleia popular.
Pelo espaço espalharam cartazes improvisados onde se podia ler mensagens como: "Queremos casas, promessas não", "Eu já não preciso, estou cá por quem precisa", "Queria comer, mas fui pagar a renda", "Procuro casa, não um milagre, "Não queremos sobreviver em liberdade, queremos viver com dignidade" e "Á noite estudamos, de dia trabalhamos em part-time para conseguir pagar a renda".
"Estamos aqui reunidos para mostrar que Vila Real não é exceção face à crise económica que o país atravessa. O que nós constatamos é que o preço das casas subiu imenso", afirmou à agência Lusa Márcia Fraga, 48 anos, professora do primeiro ciclo.
A docente fez questão de se associar à iniciativa que decorreu hoje, em Vila Real, e que disse ser "cívica e apartidária".
"Eu acho que neste momento, com estas dificuldades todas para os jovens, é matar uma geração, é não apoiar uma geração", salientou, considerando que se a nova lei das rendas foi aplicada vão aumentar as dificuldades para pagar a renda de casa.
Márcia Fraga exemplificou com o caso da própria filha.
"A única coisa que não a deixa emancipar-se para constituir a sua família nuclear é o facto de, tanto ela como o namorado trabalharem, mas o montante não dá para fazer face a uma construção da casa ou a arrendarem um apartamento", contou.
Apesar de esta ser uma cidade do interior, a professora descreveu as rendas em Vila Real "como exorbitantes" face aos rendimentos das famílias e ao aumento do custo de vida.
"É uma cidade que não consegue estar isolada dos problemas do país e os problemas económicos neste momento, é da habitação, é no carrinho das compras do supermercado, é nas deslocações. Eu, por exemplo, vou todos os dias para o Pinhão", salientou.
Margarida Nogueira é psicóloga e está a estagiar. É do Porto, mas estudou e trabalha em Vila Real e disse ter vivido e ainda viver o drama do arrendamento e da habitação.
"Neste momento eu ainda estou em fase de estágio, portanto aquilo que eu recebo não é um salário técnico e não chega para fazer face às despesas e para pagar uma renda porque tenho que estar cá e tenho que fazer esse esforço enquanto não tenho acesso à profissão e é difícil", realçou.
Sobre Vila Real, disse que não acha "uma cidade propriamente cara, mas os salários também não acompanham propriamente o custo de vida que se sente" e "as rendas têm aumentado muito e não é fácil fazer face essa despesa".
Durante a assembleia popular ouviram-se testemunhos de pais preocupados com o futuro dos filhos, sobre as dificuldades em aceder a uma casa, sobre a terceira idade e os custos dos lares e as rendas cobradas aos estudantes sem direito a um recibo, ainda se falou sobre o direito à manifestação, os protestos contra a exploração mineira em Covas do Barroso (Boticas) e ainda sobre os alegados imigrantes que dormem em lojas e em quintas em más condições.
As reivindicações reclamadas passam por medidas para a recuperação de imóveis devolutos para habitação acessível, para travar a especulação imobiliária, a criação de impostos sobre os grandes grupos económicos, limites ao aumento das rendas, redução dos preços dos combustíveis e apelou-se também a "mais capacidade de solidariedade".
A iniciativa, que incluiu as atuações dos artistas locais Emmy Curl e Bié (Rafael Fernandes), aconteceu depois dos protestos pela habitação que começaram no Porto e depois em Lisboa.
Nesta assembleia popular ficou decidido a organização de novas ações de luta a realizar em Vila Real.
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