Guerra na Ucrânia: Rússia compromete-se a não recrutar mais ganeses
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O Gana obteve do Presidente russo a garantia de que nenhum cidadão ganês participará na guerra contra a Ucrânia, no final da cimeira Rússia-África, realizada em Moscovo, afirmou hoje o ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana.
Nos últimos meses, vários países africanos relataram que alguns dos seus cidadãos foram enganados para combater nas fileiras do exército russo e que muitos deles acabaram mortos no campo de batalha.
Segundo as autoridades ganesas, cerca de 272 ganeses foram recrutados para combater na Ucrânia desde 2022; destes, mais de meia centena foram mortos.
As autoridades ganesas intensificaram os encontros com os líderes ucranianos e russos com o objetivo de pôr fim a estes recrutamentos e repatriar os prisioneiros de guerra ganeses capturados na frente ucraniana.
"[Vladimir] Putin declarou que os ganeses já não estão autorizados a participar na guerra na Ucrânia (...) seja através de recrutamentos irregulares ou de manifestações voluntárias de interesse", afirmou hoje na rede social X o ministro dos Negócios Estrangeiros do Gana, Samuel Ablakwa.
A Rússia recebeu, esta semana, delegações de 48 países africanos — incluindo 22 chefes de Estado — para uma cimeira destinada a reforçar os seus laços com o continente, descrito pelo Kremlin como um "aliado natural".
A Rússia, um ator fundamental em África durante a era soviética, continuou a exercer uma influência significativa na região desde a queda da URSS.
Aproximou-se ainda mais dos países africanos — alargando os seus laços políticos, económicos e militares — após o início da sua ofensiva na Ucrânia, em fevereiro de 2022, seguida de pesadas sanções ocidentais que visavam isolar Moscovo.
Putin sublinhou que mais de 40 Estados africanos recebiam fertilizantes e cereais provenientes da Rússia, indicando que Moscovo exportou 13 milhões de toneladas de produtos agrícolas para África desde o início do ano.
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