Guarda Revolucionária reporta explosões em superpetroleiros em Ormuz
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A Guarda Revolucionária iraniana anunciou que mais dois petroleiros sofreram explosões e incêndios após colidirem com minas quando tentavam atravessar o estreito de Ormuz por uma rota "não autorizada", num contexto de aumento dos incidentes marítimos nas últimas semanas.
"Dois superpetroleiros infratores que tentaram atravessar o estreito de Ormuz por uma rota não autorizada, situada a sul, colidiram com minas navais", comunicou na sexta-feira ao fim do dia o corpo militar de elite iraniano num comunicado divulgado pela agência Tasnim.
De acordo com o comunicado, as salas de máquinas de ambos os navios ficaram fora de serviço devido às explosões e aos intensos incêndios, pelo que as embarcações ficaram imobilizadas.
"Estes petroleiros transportavam, no total, mais de 4,5 milhões de barris de petróleo bruto que, após o impacto contra as minas navais na costa sul do estreito de Ormuz, ficaram abandonados, enquanto os tripulantes evacuaram os navios", explicou a fonte, sem especificar as bandeiras das embarcações nem informar sobre possíveis vítimas.
Nos últimos 10 dias, a Guarda Revolucionária iraniana registou pelo menos 15 incidentes com navios, dos quais reconheceu ter atacado quatro, afirmando que outros 11 colidiram com minas, num contexto de escalada das tensões nesta passagem marítima estratégica.
O corpo militar iraniano mantém o aviso de que não permitirá a passagem de navios sem a sua autorização, enquanto os Estados Unidos tentam restabelecer o tráfego por uma rota próxima de Omã.
Na quinta-feira, o Presidente dos EUA, Donald Trump, acusou o Irão de tentar encarecer o petróleo para prejudicar os republicanos nas eleições intercalares de 03 de novembro.
A República Islâmica procura manter o bloqueio do estreito de Ormuz como medida de pressão desde o início da guerra lançada pelos Estados Unidos e por Israel contra o Irão, a 28 de fevereiro passado.
No entanto, os EUA afirmam ter conseguido restabelecer o tráfego marítimo e que o comércio de petróleo na região atingiu níveis próximos dos registados antes da guerra.
Num outro comunicado, divulgado hoje, as Forças Armadas iranianas alertam que não permitirão o regresso dos navios militares norte-americanos ao Golfo Pérsico em nenhuma circunstância.
"Não permitiremos, em nenhuma circunstância e em momento algum, que os navios militares norte-americanos entrem no Golfo Pérsico", afirmou o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas, o general Ali Abdolahi, num comunicado difundido pela Tasnim.
O alto comando militar garantiu que Trump "só poderá sonhar com o regresso das suas forças armadas e do seu exército ao Golfo Pérsico".
"Terão de levar esse desejo para a sepultura para sempre", afirmou Abdolahi, depois de a Guarda Revolucionária ter afirmado, no final de setembro, que os navios norte-americanos se tinham afastado pelo menos 500 quilómetros da entrada do estreito de Ormuz e do Golfo Pérsico.
O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas iranianas questionou ainda as repetidas afirmações de Trump de ter destruído as instalações nucleares iranianas.
"Se destruíram tudo, que sentido faz repetir tais disparates?", afirmou o general, indicando que a estratégia iraniana consiste em afundar cada vez mais os EUA e Israel no conflito, à medida que este se prolonga.
As advertências iranianas surgem num momento em que os EUA reforçam a sua presença militar no Médio Oriente com o envio do porta-aviões USS Theodore Roosevelt, que se juntará aos USS George H. W. Bush e USS George Washington, já presentes na região, com a imprensa norte-americana a referir a possibilidade de Washington e Israel retomarem os bombardeamentos contra o Irão após as eleições de novembro.
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