Guarda Civil estima que 88.146 migrantes regressaram a Marrocos
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A Guarda Civil espanhola estimou que "aproximadamente 88.146" migrantes "tenham regressado" a Marrocos depois de entrarem em Ceuta, no final do mês de julho, segundo um relatório de 27 de outubro a que a agência de notícias EFE teve hoje acesso.
A juíza da Audiência Nacional María Tardón, que investiga a entrada massiva de migrantes em Ceuta nos dias 30 e 31 de julho, já tem sobre a mesa vários relatórios que solicitou há algumas semanas a diferentes organismos como a Guarda Civil, a Polícia Nacional ou o Centro Nacional de Inteligência (CNI) para tentar esclarecer o que se passou.
Na última quinta-feira soube-se que a Polícia identificou dois altos comandos marroquinos, que aparecem em vídeos das entradas a dar instruções em redor da passagem fronteiriça Bab Sebta, em Fnideq (Marrocos), próximo da fronteira do Tarajal, e hoje surgiu outro relatório, desta vez da Guarda Civil, que eleva para mais de 80.000 as pessoas que voltaram para o país do Magreb após a entrada ilegal em Ceuta.
Trata-se de um número superior ao que o Governo tinha divulgado até agora. O relatório da Guarda Civil, datado de 27 de outubro e centrado no destacamento de efetivos e recursos materiais mobilizados desde este episódio, aponta que houve 862 salvamentos em águas nacionais e 90 mortos.
Questionada também sobre o número de repatriamentos, a Polícia Nacional especificou à juíza que só conseguiu contabilizar os migrantes que manifestaram aos seus agentes a vontade de regressar, um número "mínimo comparado com aquele que, de forma global", inclui todos os que regressaram voluntariamente pela entrada que a Guarda Civil mantém aberta desde a crise migratória de julho.
Apenas o instituto armado, explica a Polícia no seu relatório, pode saber esse número porque a entrada massiva, à qual se refere como "invasão", ocorreu numa zona que se encontra "sob proteção da Guarda Civil".
Num outro relatório no início do mês de julho, antes da entrada massiva de migrantes, a Guardia Civil alertava que a recente doutrina do Tribunal Supremo aumentaria a entrada irregular por via marítima nas cidades autónomas de Ceuta e Melilla, e avisou para um possível "efeito chamada", propondo um reforço do serviço marítimo provincial da cidade autónoma espanhola encarregado da prevenção do acesso de nadadores, os efetivos do Grupo Especial de Atividades Subaquáticas em Melilla, potenciar os sistemas tecnológicos de deteção precoce e vigilância costeira, e regular a possibilidade de aplicar o regime de rejeição na fronteira a qualquer tentativa de entrada irregular feita fora dos postos fronteiriços habilitados, independentemente do meio utilizado.
Entre a documentação enviada à juíza, também se encontra um relatório do CNI de 30 de julho no qual se analisa "a situação e a perspetiva" do que a inteligência considera o "maior deslocamento massivo de migrantes na história de Espanha na Cidade Autónoma de Ceuta".
No entanto, considera que "ficou evidente a profunda distorção entre a visão do rei Mohammed VI durante o seu discurso anual à nação" do dia 29 de julho e "a realidade vivida no terreno, num momento em que Marrocos tenta afirmar-se como um ator de estabilidade e um parceiro de segurança confiável".
Entretanto a Delegação do Governo em Ceuta anunciou hoje que a 17 de novembro começarão as obras de ampliação dos molhes fronteiriços do Tarajal e Benzú.
O delegado do Governo, David de la Encina, anunciou estes trabalhos e destacou que nesse dia está prevista a chegada a Ceuta da embarcação que iniciará a perfuração para instalar estacas no subsolo marinho.
David de la Encina indicou que durante os meses de agosto, setembro e outubro o Ministério do Interior geriu a "importante quantidade de autorizações" necessárias para realizar esta obra.
"Após esse complicado trâmite, a 17 de novembro teremos em Ceuta a embarcação para começar esta obra de grande importância com um orçamento de cerca de 5 milhões de euros", indicou De la Encina.
Os trabalhos implicarão o reforço dos molhes cerca de 150 metros dentro do mar, a partir da linha de base do atual molhe de 50 metros, e posteriormente será complementado com a barreira flutuante, pelo que, segundo o delegado, "podemos estar a falar de quase 500 metros de barreira que evitarão entradas a nado".
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