Governo moçambicano assina acordos para transformação local de minérios
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O Ministério dos Recursos Minerais e Energia moçambicano assinou hoje 12 memorandos de entendimento, avaliados em 4,2 mil milhões de dólares (3.739 milhões de euros), para a construção de indústrias de processamento de minérios no país.
Os acordos, assinados em Nacala, província de Nampula, norte do país, na Conferência sobre Adição de Valor com Base em Minerais e Recursos Energéticos disponíveis, organizada pelo Governo, incluem a construção de fábricas de processamento de grafite esférico no distrito de Nacala-a-Velha.
Prevêm ainda indústrias de lapidação de pedras preciosas em Manica, unidades de processamento de vidro, num projeto ligado à exploração de areia de sílica, na província de Maputo, uma unidade de processamento de cobre em Moatize, quatro unidades de processamento de grafite, titânio e zircão em Nacala, além de projetos de fundição de ferro em Manica.
Consta igualmente a construção de uma unidade de processamento industrial de quartzo de dimensão nacional e o desenho de estratégias para maior valorização dos minérios nacionais, conforme informação avançada pelo Governo.
Ao discursar na abertura da conferência, o Presidente da República, Daniel Chapo, disse que a assinatura desses memorandos de entendimento com empresas nacionais e internacionais sinaliza o compromisso do Governo na materialização das suas promessas, indicando ser altura do país começar a transformar as suas matérias-primas localmente.
"O nosso objetivo e a nossa visão é: os investimentos que nós mobilizamos hoje, 4,2 mil milhões de dólares, aconteçam em Moçambique. Isto vai gerar renda para o povo moçambicano, emprego, com a industrialização, principalmente para jovens e mulheres e, sobretudo, vai inverter a nossa balança de pagamentos", disse.
Para isso, pediu que os acordos sejam transformados em projetos concretos e bancáveis, que sejam capazes de gerar renda e salários para os moçambicanos.
Em janeiro deste ano, Chapo inaugurou na província de Niassa uma fábrica de processamento de grafite de capital chinês avaliada em cerca de 200 milhões de dólares (171 milhões de euros), que vai transformar localmente o minério destinado a aplicações industriais de maior valor acrescentado.
Hoje, Chapo disse que vai arrancar a segunda fase desta fábrica, que pretende ser a maior de África e do mundo, indicando que o Governo continua a "acarinhar" o empreendedor para encontrar melhor ambiente de negócios.
Adiantou também que o Governo vai construir, em Nacala, dois parques industriais, por se tratar de uma zona económica especial, que se vai denominar Nacala park Manegement Company.
Para o chefe do Estado, este parque deve disponibilizar ao investidor terra infraestruturada, água, energia, estrada e segurança, elementos essenciais para investir.
"Devemos aumentar a transformação local, desenvolver fornecedores nacionais através do conteúdo local, e, sobretudo, apostarmos em pequenas e médias empresas, que na sua maioria são de jovens e mulheres moçambicanas", disse, sublinhando que esta é uma agenda de soberania económica de Moçambique.
Chapo voltou a prometer acabar com a corrupção, a burocracia e o "complicómetro" que impedem a entrada de projetos de desenvolvimento no país, pediu aos empresários abertura para denunciarem casos e apresentarem obstáculos que enfrentem no país e às empresas para que avancem até alcançarem uma produção que respeita padrões internacionais.
"Temos que ter empresas que devem ter a capacidade de ir para as outras partes do mundo, onde ocorrem os mesmos negócios. Assim, apelamos às empresas que operam, que vão operar em Moçambique, a desenvolver programas claros de fornecedores, a publicarem oportunidades com antecedência, com transparência, a promover formação e estabelecer parcerias empresariais duradouras às instituições financeiras para criarem soluções adequadas às pequenas e médias empresas", concluiu.
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