Governo francês contabiliza 320 mil manifestantes em todo o país
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Cerca de 320 mil pessoas participaram hoje nas manifestações convocadas em toda a França para contestar o elevado custo de vida, anunciou o Governo, que destacou um "dispositivo excecional" com 70 mil agentes de segurança.
O número de manifestantes foi avançado hoje pelo Ministério do Interior, enquanto a polícia estimou em 350 o número de ações planeadas em todo o país.
Até às 17:00 locais (menos uma hora em Lisboa), o Governo contabilizava quase 100.000 manifestantes a menos do que há uma semana (410.000 em todo o país) e mais de 200.000 a menos do que a 17 de outubro (quando houve 550.000 pessoas nas ruas).
Como habitual, os promotores da mobilização apresentam números mais elevados: o sindicato estudantil estima a participação total em meio milhão e a CGT, o segundo maior sindicato em França em número de filiados, em 800.000.
O movimento estudantil foi um dos motores destes protestos, que começaram no final de setembro com bloqueios nas escolas e universidades devido à deterioração do ensino público, mas que acabaram por se generalizar.
Só na capital francesa, a manifestação reuniu 70.000 pessoas, de acordo com fontes oficiais, enquanto os organizadores cifram a participação em 200.000 pessoas.
O chamado 'terceiro ato' do protesto contra o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos – depois de manifestações em 17 e 24 de outubro -, foi considerado "de elevado risco de perturbações da ordem pública", admitiu o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
O Governo organizou uma operação policial excecional com 70.000 agentes em todo o território nacional, com polícia, gendarmes, unidades móveis, veículos blindados, drones e helicópteros
De acordo com a agência France-Presse (AFP), as manifestações decorreram maioritariamente de forma pacífica, mas eclodiram confrontos em várias cidades de França, como Toulouse (sudoeste), Marselha (sudeste) e Paris, no final do percurso, quando a polícia começou a dispersar a multidão, recorrendo a gás lacrimogéneo.
Em Lyon, manifestantes montaram barricadas e a polícia respondeu com gás lacrimogéneo para tentar dispersar indivíduos.
Em Marselha, a segunda maior cidade de França, contentores foram incendiados e também foram vistas altercações com a polícia, cenas que se repetiram em Lyon e Rennes.
Em Toulouse, as forças de segurança optaram por um canhão de água para que os manifestantes abandonassem a concentração.
Para além das próprias manifestações, o Governo está também em alerta devido a apelos nas redes sociais, por grupos de extrema-esquerda e outros grupos radicais, para provocar motins, cometer saques e aproveitar a celebração do 'Halloween' para organizar encontros violentos, também à noite.
A somar-se a restrições às manifestações, desde sexta-feira à noite foram impostos recolheres obrigatórios ao fim de semana em algumas zonas de Paris, como a Praça da República e a zona comercial de Châtelet-Les Halles, onde ocorreram pilhagens durante o fim de semana de 17 e 18 de outubro.
Menores não acompanhados por pelo menos um representante legal também não poderão circular após as 21:00 em vários bairros da capital.
Nos protestos anteriores registaram-se episódios de violência, atos de vandalismo e numerosas pilhagens, sobretudo em Paris e Marselha.
A jornada de hoje foi convocada por sindicatos, o movimento "coletes amarelos", alunos do ensino secundário e estudantes universitários.
[Notícia atualizada às 17h38]
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