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Governo de Macau nega envolvimento na retirada de "Digger" dos cinemas

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Governo de Macau nega envolvimento na retirada de "Digger" dos cinemas (Foto: Reprodução)

O Governo de Macau garantiu à Lusa que não teve qualquer papel na retirada do novo filme do ator norte-americano Tom Cruise e a empresa dona dos cinemas onde "Digger" iria estrear culpou a distribuidora.

 

A película do realizador mexicano Alejandro González Iñárritu estreou-se a nível mundial em 01 de outubro, mas foi retirado à última hora dos cinemas das regiões chinesas de Macau e Hong Kong.

O Instituto Cultural (IC) de Macau, que detém a competência de aprovar e classificar todos os filmes exibidos ao público no território, negou qualquer intervenção no caso de "Digger".

Numa resposta escrita a questões da Lusa, o IC sublinhou que a Comissão de Classificação dos Espetáculos "não chegou a proceder à apreciação do pedido de classificação etária" deste filme.

"Digger" iria ser exibido nos cinemas do Galaxy Macau, mas não chegou a estrear e todas as referências à longa-metragem foram retiradas do portal do empreendimento na Internet.

Mas a empresa Galaxy Entertainment, proprietária do Galaxy Macau, também rejeitou qualquer responsabilidade na retirada do filme do estúdio Warner Bros e apontou o dedo à distribuidora.

"Todos os procedimentos relacionados com o lançamento de filmes são definidos pelas distribuidoras, e não pela Galaxy Cinemas, que funciona como local de exibição", sublinhou a empresa.

"Dúvidas específicas sobre a exibição de determinados filmes devem ser encaminhadas para as respetivas distribuidoras", acrescentou a concessionária, numa resposta escrita a questões da Lusa.

Desde 2021 que a Universal Pictures é a distribuidora, nas duas regiões semiautónomas chinesas, dos filmes da Warner Bros, após este estúdio ter encerrado as operações em Hong Kong.

A Lusa pediu esclarecimentos à subsidiária da Universal Pictures em Hong Kong e à empresa-mãe, nos Estados Unidos, mas não obteve qualquer resposta.

De acordo com a imprensa de Hong Kong, "Digger", que deveria estrear-se em 01 de outubro, Dia Nacional da China, foi retirado à última hora dos cinemas locais devido a "diálogo sensível".

A película inclui uma cena em que é sugerido um ataque nuclear contra o país e outra em que uma personagem descreve a população chinesa como "amarela" e um "cancro".

O Gabinete de Administração de Filmes, Jornais e Artigos de Hong Kong, que inicialmente aprovou a estreia de "Digger", não confirmou ao portal de notícias Hong Kong Free Press a retirada do filme.

O Gabinete disse apenas que "sempre processou os pedidos de censura de filmes" de acordo com a lei em vigor e que "não faz comentários sobre filmes ou pedidos individuais".

A Warner Bros decidiu não distribuir "Digger" na China continental, que, ao contrário de Macau e Hong Kong, impõe um limite anual de 34 filmes estrangeiros, que na prática leva a que apenas grandes 'blockbusters' sejam distribuídos.

"Digger" é uma comédia em que se cruzam o fantástico, a sátira e o humor negro sobre a atual crise climática, que deixou muitos críticos perplexos apesar do elenco sonante, liderado por Tom Cruise.

O ator de 64 anos interpreta o protagonista Digger Rockwell, um magnata do petróleo cuja negligência causa uma catástrofe ecológica global, mas que está mais interessado em conter a má publicidade do que em mitigar os seus efeitos.

"Digger" teve uma estreia fraca, arrecadando apenas 14,4 milhões de dólares (12,8 milhões de euros) nos EUA e 35,3 milhões de dólares (31,5 milhões de euros) a nível mundial, nos primeiros dois fins de semana.

Um valor que não correspondeu às expectativas para um filme cujo orçamento, incluindo despesas de marketing, rondou 300 milhões de dólares (267 milhões de euros), de acordo com a imprensa especializada.

A estreia dececionante de "Digger" ocorreu ainda antes do estúdio rival Paramount Skydance concluir, no início de outubro, a compra da Warner Bros, num negócio avaliado em 110 mil milhões de dólares (98 mil milhões de euros).

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