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Governo congolês acusa ex-presidente de fomentar ataque generalizado

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                    Governo congolês acusa ex-presidente de fomentar ataque generalizado
Governo congolês acusa ex-presidente de fomentar ataque generalizado (Foto: Reprodução)

O governo congolês acusou Joseph Kabila, que foi presidente da República Democrática do Congo (RDC) de 2001 a 2019 e que assumiu há pouco a liderança da rebelião no leste, de fomentar "um ataque generalizado" contra o país.

 

Em entrevista dada à AFP na sexta-feira à noite, o porta-voz do governo, Patrick Muyaya, insistiu em que "a escolha das armas significa que se vai matar congoleses porque se pensa assim conquistar territórios".

O leste congolês é palco de conflitos desde há mais de 30 anos. A região, rica em recursos naturais e fronteiriça do Ruanda, assiste desde o final de 2021 à ressurgência do grupo armado antigovernamental M23, apoiado por Kigali.

No início de 2025, o M23, que já controlava vastas extensões territoriais nas províncias de Nord-Kivu e Sud-Kivu, apoderou-se das importantes cidades de Goma e Bukavu.

Na segunda-feira, o M23 e o seu ramo político, a Aliança Rio Congo (AFC, na sigla em Francês), anunciaram que Joseph Kabila, com 55 anos, passava a ser o seu líder.

O anúncio, feito a partir da residência deste em Goma e com a sua presença, coincide com um clima de contestação de um projeto de alteração constitucional para permitir um terceiro mandato ao atual presidente, Félix Tshisekedi.

Os rebeldes também anunciaram a mudança da sua designação, com a plataforma AFC/M23 a mudar para Frente para a Refundação da Nação (FRN) e a descrever-se como um movimento "politico-militar".

Desde há meses que o governo acusava Joseph Kabila de "colaborar" com os rebeldes. A justiça militar condenou-o no final de setembro de 2023 à morte por traição. Kabila está também sob sanções pelos EUA pelo seu apoio ao M23.

Desde abril de 2025 que o M23 participava em negociações de paz com o governo, sob a égide do Qatar, o que a FRN indicou querer manter.

O regresso de Kabila à cena política acontece em contexto político volátil no país. Tshisekedi, com 63 anos e sucessor de Joseph Kabila, acaba o seu mandato em 2028. A Constituição estipula um limite ao cargo presidencial a dois mandatos quinquenais.

A contestação a esta possibilidade motivou manifestações de protesto em junho e setembro.

Uma coligação que junta os principais partidos da oposição tem-se distanciado de Kabila, o qual, por seu lado, ataca os titulares do poder "motivados apenas pela sua perenização".

Várias fontes diplomáticas e observadores apontam a possibilidade de a contestação política ser equiparada a um apoio à rebelião e provoque uma vaga de detenções de opositores.

Um relatório recente da ONU indicou que 42 políticos, maioritariamente da oposição, estavam detidos no país em 30 de janeiro.

Hoje, o partido de Joseph Kabila, o PPRD, que mantém influência em parte da classe política e das províncias, apesar de saídas recentes, foi suspenso, conforme um documento do Ministério do Interior consultado pela AFP.

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