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Galp e Moeve sem acordo: Falham negociações para juntar negócios

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                    Galp e Moeve sem acordo: Falham negociações para juntar negócios
Galp e Moeve sem acordo: Falham negociações para juntar negócios (Foto: Reprodução)

A Galp anunciou hoje o fim das negociações com a Moeve para uma possível combinação dos negócios de refinação e comercialização de combustíveis, por não ter sido alcançado um acordo entre as partes.

 

Em comunicado, a petrolífera portuguesa explicou que, na sequência do acordo não vinculativo anunciado em 08 de janeiro com os acionistas da Moeve, a Mubadala Investment Company e o grupo Carlyle, as partes mantiveram negociações aprofundadas, mas não conseguiram alcançar um entendimento para concretizar a operação.

A Galp garantiu ainda que o fim das negociações não terá impacto nas suas operações atuais "nem na confiança da empresa no potencial de criação de valor autónomo do seu portefólio de downstream", os negócios de refinação e comercialização, mantendo o compromisso com a transformação das atividades industriais e comerciais e a abertura a futuras oportunidades de consolidação do setor.

A presidente do conselho de administração da Galp, Paula Amorim, citada no comunicado, lamentou a falta de entendimento entre as partes, considerando que a operação representava uma oportunidade para criar um grande operador europeu de refinação e comercialização.

"Embora o racional estratégico subjacente à operação proposta continue a fazer sentido, as partes não conseguiram alcançar o alinhamento comercial necessário para estabelecer uma parceria duradoura e geradora de valor a longo prazo", afirmou, citada no comunicado.

Ainda assim, a responsável destacou a posição financeira da Galp e as perspetivas de crescimento da atividade de exploração e produção de petróleo e gás, assegurando que a empresa continuará a privilegiar investimentos que permitam criar valor a longo prazo.

"A disciplina na alocação de capital e a criação de valor a longo prazo continuarão a orientar as nossas decisões", sublinhou Paula Amorim, acrescentando que a empresa continua a acreditar nas vantagens da consolidação dos negócios de refinação e comercialização e das parcerias estratégicas.

Em julho, a co-presidente executiva da Galp, Maria João Carioca, tinha admitido, em declarações à Lusa, que a conclusão das negociações poderia ocorrer no quarto trimestre deste ano, embora a empresa pretendesse fechar a operação o mais rapidamente possível, atribuindo o atraso à dimensão e complexidade da operação.

O projeto previa a combinação dos negócios de refinação, petroquímica e comercialização de combustíveis das duas empresas na Península Ibérica, incluindo a refinaria da Galp em Sines e as unidades da Moeve em Huelva e Cádis, em Espanha.

A operação tinha também suscitado preocupações por parte do Governo português, com a ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, a afirmar, no início de julho, que o executivo estava a estudar instrumentos legais para garantir que a refinaria de Sines permanecia em Portugal e assegurava o abastecimento prioritário do país em situações de crise.

A Moeve (antiga Cepsa) tem como acionistas a Mubadala Investment Company, fundo soberano dos Emirados Árabes Unidos, e o fundo norte-americano The Carlyle Group.

Apesar do fim das negociações, a Galp reiterou a confiança nos seus negócios de refinação e comercialização, destacando a rede de postos de abastecimento em Portugal e os projetos de transição energética em Sines, incluindo a produção de hidrogénio verde e de biocombustíveis avançados.

A empresa assegurou ainda que mantém inalteradas as suas prioridades de investimento e que continuará a procurar "oportunidades de criação de valor adicional através de modelos de investimento mais eficientes na utilização de capital", conclui.

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