Mais previsões: Meteorologia 25 dias

PUBLICIDADE

Fundos pendentes de dez milhões deixam contas da Guarda "no vermelho"

...


                    Fundos pendentes de dez milhões deixam contas da Guarda
Fundos pendentes de dez milhões deixam contas da Guarda "no vermelho" (Foto: Reprodução)

A Câmara da Guarda fechou o primeiro semestre de 2026 com as contas «no vermelho», acusou hoje a oposição, uma situação que o presidente da autarquia justificou com a existência de 10 milhões de fundos comunitários «pendentes de recebimento».

 

O relatório de contas intercalar do primeiro semestre de 2026 do município foi o tema central da reunião quinzenal do executivo, realizada esta segunda-feira nos Paços do Concelho.

O assunto não constava da ordem de trabalhos, mas foi levado à sessão pelo presidente da Câmara, Sérgio Costa (Pela Guarda/ Nós, Cidadãos), para conhecimento dos vereadores, não tendo sido votado.

Confrontado com a prestação de contas dos primeiros seis meses do ano, António Monteirinho, eleito do PS, constatou que «há um agravamento dos prejuízos» e que o resultado líquido negativo aumentou para 665 mil euros.

«Não é significativo, mas é um indicador. Tal como o aumento da dívida, que cresceu 4,8 ME [milhões de euros] neste período, para 15,2 ME, enquanto o passivo era de 67,7 ME no final de junho, mais 19,4%», enumerou o socialista aos jornalistas no final da reunião.

António Monteirinho também se disse preocupado com a subida das despesas com pessoal, que aumentaram 713 mil euros no primeiro semestre.

«É um aumento da ordem dos 8%. Esta rubrica representa já mais de 62%, mais de 62% dos custos da Câmara da Guarda», alertou.

Em contrapartida, «há uma paralisia do investimento, pois a aquisição de bens de capital ficou-se pelos 27,2%. Estimava-se fazer um investimento na ordem dos 30 ME, mas 20,4 ME não foram investidos».

Segundo o vereador do PS, por estas contas, cada guardense "deve agora 379 euros, quando a dívida per capita era de 258 euros».

«Este relatório desenha um município que arrecada mais impostos, mas falha na entrega de investimento estrutural, enquanto cresce o seu endividamento e a despesa de funcionamento. Esta combinação reduz a competitividade territorial da Guarda face a outros municípios do interior», considerou.

Da coligação PSD/CDS/IL, João Prata alertou que as contas da Câmara da Guarda estão «no vermelho, porque todos os valores deste primeiro semestre estão negativos».

O social-democrata exemplificou com o prazo médio de pagamentos, «que aumentou 92%, passou de 25 dias para 48 dias».

E acrescentou: «Também a dívida aumentou neste semestre e não foi tão pouco quanto isso, foram 4,9 ME euros».

João Prata também chamou a atenção para a redução do investimento e o aumento do resultado líquido negativo do período, de 660 mil euros para 665 mil euros.

«Estes números não estão ainda a atropelar os critérios definidos na lei, mas revelam um constante degradar da situação financeira da Câmara da Guarda que não se justifica só com o argumento do presidente, de que ainda não nos pagaram cerca de 9,5 ME de euros dos fundos comunitários. É uma situação que já vem de trás», afirmou o social-democrata.

Na resposta, Sérgio Costa, que lidera o executivo guardense com maioria absoluta, adiantou que a autarquia tem, «neste momento, pendente de recebimento de 10 ME de fundos, seja do PRR, Centro 2030, do Plano de Revitalização do Parque Natural da Serra da Estrela, do Turismo de Portugal, da Infraestruturas de Portugal».

«São obras e intervenções já executadas, mas das quais a Câmara ainda não foi ressarcida».

Segundo o autarca, «é claro que este montante faz desequilibrar, e muito, as contas da Câmara».

«Tenho avisado a navegação política da Guarda, particularmente ao longo do último ano, que as contas se iriam degradar porque continuamos a fazer investimentos, mas quando chegamos ao montante de 10 milhões de euros, nós não podemos esticar mais», assumiu.

Sérgio Costa adiantou aos jornalistas que o município está «a lutar» junto da tutela para que os fundos em falta possam ser pagos «o mais rapidamente possível».

«Queremos receber os 10 milhões de euros para podermos equilibrar as contas, fazer face aos compromissos que temos e continuarmos a investir, porque a Guarda não pode parar», garantiu o edil.

Leia Também: IL preocupada com diminuição de fundos comunitários: "Grande impacto"