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Funcionários da UNRWA em Gaza protestam contra cortes de empregos

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                    Funcionários da UNRWA em Gaza protestam contra cortes de empregos
Funcionários da UNRWA em Gaza protestam contra cortes de empregos (Foto: Reprodução)

Dezenas de funcionários da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) protestaram hoje no campo de Nuseirat, na Faixa de Gaza, contra os cortes de postos de trabalho planeados pela organização.

 

Acompanhados de habitantes locais, os funcionários marcharam até uma escola da UNRWA no campo de refugiados, localizado no centro do território palestiniano.

"Não ao corte de postos de trabalho" e "Não à redução dos serviços aos refugiados" eram algumas das frases que podiam ler-se nos cartazes dos manifestantes.

Fundada em 1949, a UNRWA presta assistência a cerca de 5,9 milhões de refugiados palestinianos, nos territórios palestinianos, bem como na Síria, no Líbano e na Jordânia.

Na Faixa de Gaza, a UNRWA apoia 1,5 milhões de pessoas, de um total de 2,1 milhões de habitantes do enclave palestiniano.

Um pilar dos serviços de saúde, educação e ajuda humanitária, a agência conta com 10.500 funcionários neste território, devastado por três anos de guerra de Israel, iniciada a 07 de outubro de 2023, horas depois de um ataque de proporções sem precedentes do movimento islamita palestiniano Hamas em território israelita que fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, segundo o balanço oficial das autoridades israelitas.

A guerra de retaliação de Israel fez, até agora, pelo menos 74.609 mortos, na maioria civis, e 175.834 feridos - apesar de um cessar-fogo entrado em vigor a 10 de outubro de 2025, após o qual o Exército israelita continuou a abrir fogo sobre civis palestinianos e o número de vítimas continuou a aumentar.

Pelo menos 1.593 palestinianos foram mortos e 5.748 feridos na Faixa de Gaza desde o início da trégua, segundo números das autoridades locais, que a ONU considera fidedignos.

A guerra no enclave palestiniano causou, além disso, uma catástrofe humanitária, a destruição de quase todas as infraestruturas do território e a deslocação forçada de centenas de milhares de pessoas.

Três anos depois, 1,9 milhões de habitantes de Gaza continuam deslocados, e cidades inteiras, bairros e ruas foram completamente destruídos, estimando-se que haja ainda cerca de 10 mil mortos soterrados sob os escombros.

"A agência enfrenta, desde há já algum tempo, dificuldades financeiras e operacionais sem precedentes, e decisões difíceis poderão revelar-se necessárias num futuro próximo", advertiu hoje o porta-voz da UNRWA, Jonathan Fowler, sublinhando que ainda não é possível pormenorizar qualquer decisão.

Em setembro, o responsável da UNRWA, Christian Saunders, já tinha feito soar o alarme: caso não fosse suprido um défice de 100 milhões de dólares (quase 90 milhões de euros, ao câmbio atual) dentro de dois meses, a agência correria o risco de ter de reduzir os serviços que presta aos refugiados.

"Este protesto visa afirmar claramente que nos opomos ao despedimento de qualquer funcionário, pois despedir trabalhadores equivale a encerrar os serviços destinados aos refugiados e a reduzir a qualidade desses serviços", declarou hoje, durante a manifestação, Mustafa al-Ghur, representante do sindicato dos funcionários.

Há muito que Israel acusa esta agência da ONU de empregar membros do Hamas, afirmando que alguns deles participaram no ataque de outubro de 2023 que desencadeou a guerra.

Várias investigações internacionais apontaram "problemas relacionados com a neutralidade" dentro do organismo, mas sublinharam que Israel não forneceu provas que sustentassem as suas acusações.

Uma lei pondo fim a qualquer relação entre o Estado de Israel e a agência, proibindo-a de exercer atividade em território israelita, entrou em vigor em janeiro de 2025.

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Lusa | 15:37 - 02/11/2026