Filme "Derek vs Derek" vence prémio ambiental no CineEco 2026
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O filme "Derek vs Derek", de James Dawson, sobre dois agricultores vizinhos com diferentes visões sobre o uso da terra, venceu o Grande Prémio Ambiente do festival CineEco, que terminou hoje em Seia, no distrito da Guarda.
O mais importante galardão da 32.ª edição do Festival Internacional de Cinema Ambiental da Serra da Estrela, segundo a organização, foi atribuído ao filme de 2026 que aborda a "relação desconcertante, mordaz e divertida" entre o produtor de leite Derek Banbury, horrorizado com a devastação da quinta do seu vizinho, Derek Gow, antigo criador de gado determinado a transformar as suas terras num refúgio para a natureza em Devon (Reino Unido).
"Num contexto de evidente polarização política e cultural, é difícil imaginar pontos de convergência", apontou o júri, citado numa nota, acrescentando que "a procura de soluções para os problemas", particularmente de natureza ecológica, "continua refém de questões como a aparente complexidade" da sua concretização, "resistência à mudança", dificuldade de diálogo e "falta de vontade política".
O júri atribuiu uma menção honrosa nesta categoria ao filme "The System", de Joris Postema (Países Baixos).
A 32.ª edição do CineEco, que decorreu entre 09 de outubro e hoje, contou com a participação de 410 obras, entre filmes de ficção e documentários, em vídeo, película ou digital, com mais de 100 filmes de 34 países, 86 dos quais concorreram às seis secções competitivas da programação oficial.
O certame, que teve na seleção internacional de longas-metragens 10 documentários em estreia absoluta em Portugal, registou mais de 3.000 espetadores, 1.120 alunos das escolas do concelho de Seia e arredores e a presença de 45 cineastas de 15 países, avançou a organização.
No auditório da Casa Municipal da Cultura de Seia, o prémio Camacho Costa, para longas-metragens em língua portuguesa, distinguiu "Rua do Pescador n.º 6" (2025), da realizadora e atriz brasileira Bárbara Paz, documentário a preto e branco sobre "a histórica enchente que atingiu o Rio Grande do Sul", em 2024, e deixou mais de 600 mil pessoas sem casa e bairros inteiros submersos durante dias.
O prémio Antropologia Ambiental, na competição de longas-metragens internacionais, foi para "Iron Winter" (2025), do australiano Kasimir Burgess.
Na categoria Curta e Média-Metragem Internacional, foi galardoado "1,5 y Más" (2026), do espanhol Miguel Dorado, enquanto "Remigia's Lessons", de Jewel Maranan (Filipinas) teve direito a menção honrosa.
A melhor Curta e Média-Metragem em Língua Portuguesa foi o filme da dupla de cineastas Denilson Baniwa e Felipe M. Bragança, "Floresta do Fim do Mundo" (2026), e "Algumas Coisas que Acontecem ao Lado de um Rio" (2026), de Daniel Soares, ficou com uma menção honrosa.
O prémio Educação Ambiental foi atribuído ao documentário brasileiro "Guerreiros Plantados" (2026), de José Carbonel e Rui Mendonça, enquanto o de Curta-Metragem de Ficção, Não Ficção e Animação foi entregue a "El Canto del Jaguar" (2026), de Antonia Silva Alvarado (México).
O prémio Curta-Metragem de Animação distingiu "Aller & Retour" (2025), de Lucia Bulgheroni e Michele Greco, com menção honrosa para "Au Gré de L'Iode" (2025), de Léa Deprez, Pierre-Luis Bordes, Elliot Desmarets e Jeanne Finet.
Na competição Panorama Regional, o júri premiou "Maços e Martelos" (2025), de Tiago Cerveira, jovem realizador que nesta categoria conquistou já três galardões em 2015, 2019 e 2020.
Foram ainda entregues os "prémios especiais", que abrangem todas as competições, de Valor da Água, a "Black Water" (2025), de Natxo Leuza, e "Replanting a Garden" (2026), de Anthony William Wallace (menção honrosa), e de Juventude, para "La Fjella Leve" (2026), de Håvard Bustnes.
De acordo com a organização, a 33.ª edição do CineEco já tem data marcada, de 08 a 16 de outubro de 2027.
O CineEco, promovido pelo município de Seia de forma ininterrupta desde 1995, é um dos festivais de cinema ambiental mais antigos do mundo.
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