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Exposições de Amelie von Wulffen e Sei Miguel na Culturgest com concertos

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                    Exposições de Amelie von Wulffen e Sei Miguel na Culturgest com concertos
Exposições de Amelie von Wulffen e Sei Miguel na Culturgest com concertos (Foto: Reprodução)

Duas exposições dedicadas à artista alemã Amelie von Wulffen e ao músico português Sei Miguel, com obras de ambos e um programa de concertos associado à música experimental, são inauguradas na sexta-feira, na Culturgest, em Lisboa.

 

Intituladas "Panic Realism" e "Fotocópia Original", as exposições têm curadoria de Bruno Marchand e abrem ao público a partir das 22:00 de sexta-feira, podendo ser visitadas até 24 de janeiro e 21 de fevereiro de 2027, respetivamente, segundo a organização.

A exposição de Sei Miguel (1961-2025), considerado um nome de referência do jazz e da música experimental portuguesa, reúne um conjunto alargado de gráficos e exercícios visuais desenvolvidos pelo músico para comunicar dinâmicas e tensões musicais que não encontravam expressão adequada na notação convencional.

Entre o desenho e a escrita, o símbolo e a palavra, estes registos alheios ao sistema tradicional de grafia em pauta constituem uma linguagem própria inventada por Sei Miguel para transmitir a outros músicos as ideias e estruturas que pretendia explorar, num processo que traduz também a sua preocupação em partilhar conhecimento e tornar possível a criação conjunta.

"Dono de um aguçado sentido de humor e de uma clarividência que lhe trouxe lucidez e frustração em doses iguais, Sei cultivou um inabalável sentido ético para com a criação e para com aqueles que com ele criaram. Foi nesse encontro entre o conceber e o partilhar que deu por falta de um léxico, talvez mesmo de um código, que lhe permitisse comunicar a outras pessoas as dinâmicas e tensões que urgia registar, mas que não encontravam vazão na linguagem da pauta. Como não havia, teve de inventá-los", recorda a curadoria, sobre os gráficos híbridos, entre o desenho e a escrita, o símbolo e a palavra, feitos para "guiar no escuro".

O alcance da influência do músico, cuja obra se distinguiu pela singularidade e pelo rigor, ultrapassa o campo musical, refletindo uma relação ética com a criação e com os artistas com quem trabalhou, segundo a curadoria.

No âmbito de "Fotocópia Original", o ciclo de concertos "Everywhere Infinity Everywhere Mystery", concebido por Fala Mariam, companheira de Sei Miguel na arte e na vida, reúne músicos que partilharam com ele diferentes momentos do seu percurso.

O primeiro encontro está marcado para sábado, com atuações do duo português Sirius, formado por Yaw Tembe, no trompete, e Monsieur Trinité, na percussão, e o compositor e artista sonoro brasileiro Livio Tragtenberg.

A 12 de dezembro, o programa prossegue com o guitarrista norte-americano Joe Morris e a trompetista alemã Birgit Ulher, num conjunto de concertos que evoca as relações artísticas e pessoais construídas ao longo de décadas e a influência de Sei Miguel sobre outros músicos.

A exposição "Fotocópia Original" e os concertos associados têm entrada livre.

A inauguração da mostra de Sei Miguel será também acompanhada pelo lançamento da reedição do disco "Showtime", originalmente editado em 1996 e agora recuperado pela editora Holuzam, com a fotografia de capa que o músico gostaria de ter visto na primeira edição.

Já "Panic Realism", a primeira exposição em Portugal de Amelie von Wulffen, nascida em 1966, na Alemanha, reúne cerca de uma centena de obras e concentra-se nos últimos dez anos da sua produção, entre pinturas, desenhos e esculturas.

O trabalho da artista explora as transições entre diferentes linguagens pictóricas, o real e o imaginário, a infância e a idade adulta, o trauma e a fantasia, recorrendo tanto a referências da cultura popular como a figuras e cenários ligados à burguesia conservadora alemã.

Personagens como Heidi e Abelha Maia, John Travolta e imagens associadas a marcas populares convivem com elementos biográficos e referências à história alemã, num "universo ambíguo onde emergem criaturas, estados e visões de natureza escatológica", segundo a curadoria.

Para Bruno Marchand, curador citado pela Culturgest, o trabalho de Amelie von Wulffen é como "uma grande e elíptica banda-desenhada da sua vida: da real e da imaginária".

Ao longo do seu percurso, a artista participou em certames como a Bienal de Veneza e apresentou obras em instituições internacionais como o Centro Pompidou, em Paris, o Studio Voltaire, em Londres, a Kunsthalle Bern, o Museu de Arte Moderna e Contemporânea, em Genebra, e o KW, em Berlim.

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