EUA consideram "irresponsáveis" acusações ucranianas sobre Starlink
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O secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, lamentou hoje as "declarações irresponsáveis" do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, que acusara Washington de estar por detrás do bloqueio, na Ucrânia, da versão militar da rede de satélites Starlink.
"É irresponsável da parte do presidente Zelensky fazer tal acusação (...) O presidente Zelensky deveria ter muito cuidado antes de proferir este tipo de declarações que não correspondem à realidade", afirmou Bessent em declarações à NBC.
O presidente ucraniano disse hoje que os Estados Unidos da América (EUA) voltaram a partilhar informações com Kyiv ao fim de "três dias", agradecendo a Washington o fim do bloqueio, que dificultou a resposta da Ucrânia aos ataques russos.
Numa entrevista ao canal norte-americano NBC, Zelensky adiantou que a partilha de informações "esteve bloqueada durante algum tempo e, depois, foi desbloqueada pelo lado norte-americano", referiu.
"Estamos gratos por isso. Agora está a funcionar", afirmou, acrescentando que a ausência durou "três dias, durante os ataques balísticos" de Moscovo.
A Administração Trump e a Ucrânia viveram nos últimos dias um momento de grande tensão, com os ucranianos a denunciarem que os Estados Unidos limitaram a transmissão de informações de segurança, o que causou constrangimentos na utilização do sistema de satélites Starlink, propriedade do milionário Elon Musk, dono da SpaceX.
O presidente dos EUA acusou Kyiv de querer atingir as refinarias de petróleo russas e associou as ações ucranianas à subida dos preços dos combustíveis a nível mundial, agudizada com a guerra no Médio Oriente desencadeada com os ataques dos EUA e de Israel ao Irão.
Entretanto, o presidente da Ucrânia disse ter mantido hoje uma conversa telefónica com os enviados especiais norte-americanos Steve Witkoff e Jared Kushner.
"As nossas equipas mantêm um diálogo constante, estão em contacto todos os dias. É evidente que existem muitos desafios que nos dizem respeito a todos e que esta guerra tem de acabar. Estamos a fazer tudo o que está ao nosso alcance para o conseguir. Esforçamo-nos por garantir que a posição dos Estados Unidos se mantenha firme", afirmou Zelensky, citado pela AFP.
Numa mensagem separada, publicada nas redes sociais, precisou que Kyiv mantinha os seus parceiros "constantemente informados sobre a realidade no terreno, marcada por ataques russos que não conhecem tréguas, bem como sobre as questões relacionadas com a defesa aérea". "Neste ponto, muito depende precisamente da posição dos Estados Unidos", acrescentou.