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Estudantes mobilizados por Lula em todo o país após eleições

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                    Estudantes mobilizados por Lula em todo o país após eleições
Estudantes mobilizados por Lula em todo o país após eleições (Foto: Reprodução)

Ana Alves, 21 anos, negra, lésbica e moradora da periferia, percorre diariamente quatro horas de autocarro para estudar Direito na Universidade de Brasília, mas diz encontrar forças na comunidade e nas mobilizações pro-Lula que tem ajudado a organizar.

 

Moradora de Santo António do Descoberto, em Goiás, Ana Maria sai de casa de madrugada, trabalha durante o dia e, quando tem aulas à noite, chega perto da 01h00, depois de duas horas de viagem.

"Vou e volto dormindo no ônibus, e é isso que dá para fazer", contou à Lusa a estudante, uma das organizadoras do ato pró-Lula realizado na Universidade de Brasília (UnB) na quinta-feira à noite.

A mobilização surgiu depois do resultado da primeira volta das eleições presidenciais, que deixou entre os estudantes um sentimento descrito como "luto", mas também a necessidade de se reunir para recuperar energias e manter a esperança.

O candidato da extrema-direita, Flávio Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), conseguiu, no domingo, mais de 2,2 milhões de votos que Lula da Silva, o que desafia a esquerda a mobilizar-se na esperança de uma possível vitória do atual Presidente no próximo dia 25.

O primeiro grande ato ocorreu na quarta-feira no centro do Rio de Janeiro, enquanto na quinta-feira a mobilização foi ainda maior em dez capitais e no Distrito Federal numa mobilização puxada pela União Nacional dos Estudantes (UNE) e dezenas de coletivos estudantis.

"Segunda-feira amanheceu com um clima de luto aqui", contou Maria Eduarda Santiago, 20 anos, estudante de Ciência Política, para quem a mobilização serve sobretudo para "animar" e evitar a perda da esperança.

Na universidade pública onde estuda, disse, muitos estudantes estavam tensos diante do que poderia acontecer, mas o encontro nas ruas permitiu criar um sentimento de união entre pessoas que defendem Lula.

A tentativa de virar votos também existe, embora os estudantes reconheçam que o ambiente universitário seja, em grande medida, favorável ao candidato do Partido dos Trabalhadores (PT).

"Pode ser que mude também", afirmou Maria Eduarda, lembrando que nem todos os estudantes votaram em Lula na primeira volta e que alguns escolheram outros candidatos ou ainda estavam indecisos.

A estratégia, contudo, não se limita à universidade, reconhecem os estudantes, que discutem nos grupos de WhatsApp formas de sair de Brasília e alcançar regiões e cidades próximas da capital federal onde o PL tem maior força eleitoral.

Maria Eduarda conta estar em cerca de dez grupos de WhatsApp, onde circulam notícias, debates e materiais com orientações sobre como conversar com eleitores e tentar conquistar votos.

"Tem muito PDF de formas de mudar, de virar voto. Como conversar com as pessoas também", relatou a estudante, citando grupos ligados ao movimento estudantil e diferentes regiões do Distrito Federal.

Na UnB, porém, a mobilização expôs também diferenças entre cursos, com estudantes identificando uma divisão informal entre as áreas de Humanidades e as chamadas Ciências Exatas.

Guilherme Herculano, 19 anos, estudante de Administração, diz perceber uma diferença significativa entre os cursos, apontando maior envolvimento político entre estudantes de Ciência Política e Relações Internacionais.

"Os cursos de Humanas são pessoas bem mais conscientes, bem mais educadas politicamente", afirmou, enquanto no seu curso, segundo ele, opiniões políticas seriam mais influenciadas pelo ambiente familiar e cultural.

A divisão, contudo, não é absoluta, segundo Ana Maria, que considera a universidade um espaço plural, com estudantes de esquerda, centro e direita.

Para ela, o ponto de convergência está na defesa da democracia, independentemente da posição ideológica, desde que não haja identificação com o bolsonarismo.

As faixas exibidas também refletiram as preocupações dos estudantes, com mensagens sobre educação, soberania do Brasil, defesa do voto feminino e a memória das mortes provocadas pela pandemia da covid-19.

Os estudantes entoaram várias canções sobre o petista, como "olê, olê, olá, Lula", além de dançarem uma paródia de um pagode baiano que faz ataques a Flávio Bolsonaro ao citar os escândalos em que está envolvido.

No meio da onda vermelha, Isaac Guiton, 20 anos, apareceu vestido com a camisola verde e amarela da seleção brasileira e um adesivo de Lula no peito, numa tentativa de ressignificar uma cor que considera apropriada pela direita bolsonarista.

"Não acho que seja um símbolo da direita pró-Bolsonaro", afirmou, defendendo que o verde e amarelo "tem que ser usado por todos" por representar o Brasil e não um partido ou político.

Apesar da intenção de mostrar força, vários estudantes admitem que o principal efeito da mobilização não é necessariamente convencer quem pensa de forma diferente, mas reunir quem saiu da primeira volta desanimado.

Maria Eduarda resumiu esse sentimento ao afirmar que a mobilização serve para "reenergizar" os estudantes e mostrar que ainda é possível disputar o segundo turno.

Entre os estudantes, a percepção é de que a universidade é apenas uma parte da disputa eleitoral e que o próximo passo será levar a mobilização para fora dos seus muros.

Enquanto os mais jovens organizam grupos, produzem materiais e discutem estratégias, alguns adultos procuram aproximar-se dessa energia.

Foi o caso de Roberto Oliveira, 47 anos, funcionário público e morador de Brasília, que foi ao ato justamente para isso, depois de acompanhar a política sobretudo através das redes sociais.

"Eu acho que também se conectar com essa energia mais jovem da galera que está aí na universidade", disse Roberto, que estava acompanhado de um casal de amigos, da mesma faixa etária.

"Foi basicamente tomar um ar", resumiu, explicando que saiu de casa para "se conectar mesmo com essa energia" e sentir nas ruas aquilo que normalmente acompanha através do mundo virtual.

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