Empresários da terraplenagem criam associação com 100 empresas
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Os empresários da terraplenagem querem constituir até ao final de novembro uma associação de classe para melhor defender os interesses do setor, que terá âmbito nacional e deverá juntar cerca de uma centena de empresas.
"Só a partir do momento em que começarmos a ter alguma estrutura é que podemos também acabar por demonstrar, junto da tutela, que os apoios não são suficientes e que estas empresas exigem outro tipo de tomadas de decisão", avançou hoje à agência Lusa o advogado Miguel Machado Mendes, que representou os empresários do setor das terraplenagens na marcha lenta que organizaram a 25 de setembro passado para exigir respostas concretas face ao aumento dos combustíveis.
Segundo o responsável, desde então foram dados "avanços significativos para constituir" a associação de classe, tendo já sido "pedidos e admitidos" os certificados necessários.
"Estamos só a aguardar que as agendas dos empresários coincidam para fazer a escritura", disse, avançando que o objetivo é juntar "pelo menos 100 a 120 empresas nesta fase inicial".
A iniciativa surge pouco mais de um mês após a marcha lenta organizada pelos empresários ligados à extração de materiais, terraplenagem, escavação, movimentação e transporte de terras e inertes, que, ao longo de cerca de cinco horas, percorreram um trajeto entre Paredes e Coimbra para exigir medidas face à escalada do preço dos combustíveis.
Na sequência deste protesto, o Governo comprometeu-se - numa reunião a 28 de setembro com os representantes do setor - a alargar aos equipamentos do setor industrial, como as retroescavadoras, máquinas escavadoras ou britadeiras, o apoio ao gasóleo já atribuído aos equipamentos agrícolas, traduzido num desconto na ordem dos 10 cêntimos por litro.
Outro dos compromissos então assumidos pelo executivo foi a uniformização dos limites máximos de peso por carga, por forma a equipar o setor ao dos transportes de materiais lenhosos, permitindo-lhe transportar até 60 toneladas em camiões de cinco eixos, contra as atuais 44 toneladas de capacidade máxima.
"Ao carregarmos mais, fazemos menos transportes e gastamos menos combustível, portanto tudo isto são medidas que permitem mitigar o aumento do gasóleo", enfatizou, na altura, Miguel Machado Mendes.
Questionado pela Lusa sobre se estes apoios já estão no terreno, o responsável disse que "avançaram algumas coisas", mas nenhum foi ainda efetivamente concretizado.
"Os apoios ao gasóleo para os equipamentos industriais já foram publicados, mas ainda foram não sentidos nos bolsos dos empresários, porque aguardam que o IMT [Instituto da Mobilidade e dos Transportes], que é a entidade terá que certificar os equipamentos, publique o formulário que as empresas têm que utilizar", detalhou.
Já relativamente ao aumento dos limites máximos de peso por carga, o advogado disse que o setor recebeu, "há cerca de 15 dias ou três semanas, um projeto de lei para alterar as regras das tonelagens máximas", mas "ainda não houve publicação do decreto até agora".
Embora reconheça que estas matérias "levam o seu tempo", Miguel Machado Mendes salienta que "também exigem organização" por parte do setor: "Só com uma estrutura um bocadinho mais organizada é que poderemos ter outro tipo de reação por parte do Governo", enfatiza.
Até porque, sustenta, para além dos dois compromissos assumidos no final de setembro pelo Governo, estão em cima da mesa "outras medidas que dependem da interação com outros ministérios", nomeadamente da Economia e do Ambiente, e que por isso "exigem ainda mais negociação".
"Isto são tudo questões que são prementes, mas que só uma estrutura um bocadinho mais organizada é que poderá ter outro tipo de reação por parte do Governo", rematou.
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