Emissões de gases com efeito de estufa diminuíram 2,8% em 2024
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As emissões de gases com efeito de estufa (GEE) diminuíram 2,8% em 2024 pelo quarto ano consecutivo, um período que também foi de crescimento económico, indicam dados do INE divulgados hoje.
Num destaque sobre as emissões atmosféricas o INE salienta que esta evolução, de crescimento económico e redução de GEE, "evidencia a continuidade da dissociação" entre a atividade económica e as emissões de GEE.
Em 2024, as emissões de GEE, expressas em Potencial de Aquecimento Global (GWP), diminuíram 2,8% em relação ao ano anterior, totalizando 52,0 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO2) equivalente.
Trata-se do valor mais baixo da série iniciada em 1995, nota o INE, acrescentando que a redução aconteceu num contexto de crescimento económico, com o Produto Interno Bruto (PIB) a preços de mercado a aumentar 2,7%.
A redução das emissões de GEE, conjugada com o crescimento do PIB, traduziu-se numa "descida de 5,4% da Intensidade Carbónica da economia portuguesa, que atingiu o valor mais baixo da série estatística", indica o comunicado.
O INE explica que foram usados três indicadores para avaliar os efeitos ambientais das emissões: o GWP, o Potencial de Formação de Ozono Troposférico (TOFP), que reduziu 1,6%, e o Potencial de Acidificação (ACID), que aumentou 1,3%.
Apesar desta evolução diferenciada, os três indicadores mantiveram-se abaixo dos níveis registados em 2015 e em 1995, segundo o INE.
A diminuição do GWP em 2024 terá sido devida principalmente ao aumento da produção de eletricidade de origem renovável, em particular a hidroelétrica (+25,1%) e fotovoltaica (+37,4%).
A redução, segundo a análise, foi parcialmente contrariada pelo aumento das emissões da indústria, nomeadamente das indústrias do cimento e da cal e da indústria química, bem como dos transportes, em particular da aviação e do transporte marítimo.
O INE acrescenta que em 2024 o ACID aumentou 1,3%, refletindo o acréscimo das emissões de amoníaco (NH3) da agricultura, associado à recuperação da produção de carne e ao aumento do consumo de fertilizantes, e das emissões de óxidos de azoto (NOx) dos transportes, em particular da aviação e do transporte marítimo.
O TOFP diminuiu 1,6%, provavelmente pela menor utilização de gás natural na produção de eletricidade e a redução das emissões das famílias, possivelmente associadas a menores necessidades de aquecimento. O INE admite que haja também uma contribuição da renovação gradual do parque automóvel e a redução do teor de solventes em tintas, vernizes e outros produtos. A diminuição foi parcialmente contrariada pelo aumento das emissões de NOx dos transportes.
Em resumo, entre 1995 e 2024 os três indicadores ambientais registaram reduções de 25,4% no GWP, 58,6% no ACID e 47,7% no TOFP.
O GWP, que expressa as emissões de diferentes GEE numa unidade comum, o CO2 equivalente, totalizou em 2024 os 52,0 milhões de toneladas de CO2 equivalente, o que representa menos 1,5 milhões de toneladas face ao ano anterior (-2,8%).
A redução resultou principalmente da diminuição das emissões de dióxido de carbono (CO2), de 3,7%. As emissões de metano (CH4) também diminuíram (-1,3%), enquanto as de óxido nitroso (N2O) e de gases fluorados aumentaram 1,3% e 0,2%, respetivamente.
O dióxido de carbono (CO2), associado sobretudo à utilização de combustíveis fósseis, manteve-se como o principal gás com efeito de estufa, representando 70,6% do GWP em 2024.
O metano (CH4) e o óxido nitroso (N2O), que representaram, respetivamente, 19,1% e 6,6% do GWP, estão associados principalmente a atividades agrícolas e de saneamento.
Os gases fluorados, utilizados nomeadamente em sistemas de climatização e refrigeração, contribuíram com 3,7% para o total.
Entre 2015 e 2024, o GWP diminuiu 26,0%, refletindo sobretudo a redução das emissões de CO2 (-33,3%). Os restantes gases apresentaram evoluções menos expressivas, sem uma tendência comum ao longo do período, diz o INE.