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Eleições no Brasil. Emigrantes lutam pela "virada" na segunda volta

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                    Eleições no Brasil. Emigrantes lutam pela
Eleições no Brasil. Emigrantes lutam pela "virada" na segunda volta (Foto: Reprodução)

Várias centenas de brasileiros encheram hoje o largo Camões, no Chiado (Lisboa), para uma marcha que quer a "virada" na segunda volta das eleições presidenciais, reelegendo Lula da Silva.

 

"Ele não, o filho também não", podia ler-se num cartaz de Ana Rita, imigrante brasileira em Portugal há cinco anos e que não se considera uma pessoa de esquerda, mas de centro.

"Não queremos o terror que o país viveu com Bolsonaro pai", explicou, referindo-se a Jair, progenitor de Flávio Bolsonaro, vencedor da primeira volta das presidenciais e favorito à vitória no dia 25.

Organizado pelo núcleo do Partido dos Trabalhadores em Portugal, a marcha inscreve-se numa estratégia global, com ações simultâneas em vários pontos do Brasil e do mundo.

"Esta marcha que estamos a fazer hoje está integrada nas mobilizações que estão ocorrendo no Brasil, em apoio a Lula Presidente, pela virada, pela soberania do Brasil e contra a política de morte protagonizada por Flávio Bolsonaro", afirmou à Lusa Pedro Prola, coordenador do núcleo do PT.

"Contra o retorno dos bolsonaros ao poder", Pedro Prola admitiu que é difícil a vitória, mas tem confiança.

"Não está decidido o jogo: podemos ser derrotados ou podemos sair vitoriosos, isso depende da capacidade de diálogo, da capacidade de conversar", disse o dirigente do PT.

E apelou a que "cada pessoa, cada democrata, que possa conversar com os seus amigos e familiares seja no Brasil, seja em Portugal, no sentido de a gente colocar aquilo que está em causa nesta eleição: a importância de a gente prosseguir e avançar mais".

"Porque a mudança – uma das palavras de ordem da campanha de Flávio Bolsonaro - não é retrocesso e não é voltar ao tempo e à destruição causada pelos Bolsonaros", salientou.

Mas para isso é necessário "virar o voto" e "dialogar com as pessoas e o povo brasileiro", avisou Pedro Prola.

Os ativistas pró-Lula devem falar com "aquele povo que estava na fome no tempo dos Bolsonaros e depois saiu do mapa da fome. É importante que não volte a esse cenário dantesco".

Quanto a Portugal, Pedro Prola mostra-se confiante numa nova vitória de Lula da Silva, mas isso só valerá a pena se o atual Presidente for reeleito.

"Vencemos em 2022 em Portugal, vencemos no primeiro turno e queremos reforçar a votação em Portugal para voltar a eleger Lula presidente", contra a "tentativa da extrema-direita para trazer o Brasil para a idade das trevas", acrescentou.

A poucos metros Luiz Santos usava uma 't-shirt' do Benfica com um autocolante de apoio a Lula, com o 13 (número do boletim), junto ao símbolo do clube.

"Não tinha nenhuma camisa vermelha. Tinha esta do Benfica e usei. O Benfica é o clube do povo, não é? O PT também", disse, sorrindo.

Num canto seguia um grupo de mulheres, fiéis de uma religião de matriz africana, vestidas com roupas tradicionais.

O grupo, Mile Axe de Logun, veio de Rio Maior para participar na manifestação também para defender a liberdade das minorias, que dizem estar ameaçada por Flávio Bolsonaro.

"Apoiamos o Lula, porque ele defende a liberdade religiosa e somos contra a ditadura, qualquer ditadura de pensamento", explicou Andreia Xavier, uma das líderes do grupo.

A marcha arrancou pelas 11:30 no Largo Luís de Camões, em direção à Ribeira das Naus, junto ao Tejo, sempre com animação musical, onde se ouvia batuques, o hino do PT ou o "Vermelho" de Fafá de Belém.

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Lusa | 10:01 - 18/10/2026