Mais previsões: Meteorologia 25 dias

PUBLICIDADE

Deputados da Polónia aprovam legislação que flexibiliza direito ao aborto

...


                    Deputados da Polónia aprovam legislação que flexibiliza direito ao aborto
Deputados da Polónia aprovam legislação que flexibiliza direito ao aborto (Foto: Reprodução)

Os deputados polacos aprovaram hoje, por iniciativa dos partidos de esquerda e de centro, dois projetos-lei que flexibilizam o direito ao aborto, um dos mais restritivos da Europa, esperando-se, contudo, o veto do Presidente nacionalista.

 

Os parlamentares do Sejm (câmara baixa do parlamento polaco) aprovaram os diplomas apoiados pelo Governo centrista de Donald Tusk, que descriminalizam parcialmente a ajuda à interrupção voluntária da gravidez e restabelecem o acesso ao procedimento em casos de malformações fetais graves.

"O Estado confia nas suas cidadãs. Hoje, o facto de uma mulher realizar um aborto por conta própria não é punido. É tempo de acabar com a punição de todos aqueles que amam, se preocupam e respeitam as nossas escolhas", declarou a deputada Katarzyna Kotula, antiga ministra da Igualdade, na sua conta da rede social X.

O primeiro projeto-lei — apresentado pelo partido Coligação Cívica (KO), de Donald Tusk, e pela Esquerda — despenaliza parcialmente a interrupção voluntária da gravidez e a ajuda à realização de abortos, atualmente passível de uma pena de até três anos de prisão.

O projeto foi aprovado por uma estreita margem: 217 votos a favor e 213 contra, num total de 433 parlamentares presentes; os restantes abstiveram-se ou não participaram na votação.

O segundo projeto, apresentado pelos parceiros mais conservadores da coligação governamental (Polónia 2050 e o Partido Camponês Polaco, PSL), reverte uma decisão de 2020 da mais alta instância judicial, o Tribunal Constitucional, que tornou o aborto ilegal em casos de malformações fetais graves, e foi aprovado por uma margem mais expressiva, de 30 votos.

Tusk e os seus parceiros de coligação tinham prometido liberalizar as leis sobre o aborto no país antes de vencerem as últimas eleições legislativas, em 2023; contudo, divergências entre os diferentes partidos que compõem a sua maioria parlamentar acabaram por atrasar o processo.

Atualmente, neste país tradicionalmente católico, o aborto só é permitido em duas circunstâncias: quando a gravidez resulta de um ato criminoso — como violação ou incesto — ou quando põe em risco a vida ou a saúde da mãe.

Uma decisão emitida em 2020 pelo Tribunal Constitucional, que o segundo projeto-lei anula, estipulou que as malformações graves do feto não constituíam um motivo legal para a interrupção voluntária da gravidez.

Antes desta decisão, 98% dos abortos legais na Polónia eram realizados por esse motivo.

As novas restrições desencadearam uma onda de protestos por todo o país, as maiores manifestações em massa na Polónia desde o movimento anticomunista Solidariedade, de 1989.

De acordo com dados do Fundo Nacional de Saúde da Polónia (NFZ), foram realizados 573 abortos em hospitais públicos polacos durante o primeiro semestre de 2026.

No ano passado, os hospitais públicos realizaram 851 abortos, segundo o NFZ.

O resultado das votações no parlamento era bastante incerto, dadas as divergências dentro da coligação, bem como a posição da oposição de direita.

Um dos partidos de direita, embora se declare "pró-vida" (antiaborto), não impôs uma orientação de voto aos seus membros.

Qualquer tentativa de flexibilizar as leis sobre o aborto enfrentará o veto do Presidente conservador-nacionalista, Karol Nawrocki, apoiado pelo partido Lei e Justiça (PiS), o mesmo partido que, quando estava no poder, provocou e manteve a decisão proferida pelo Tribunal Constitucional em 2020.

Nawrocki não se manifestou hoje ainda sobre o resultado da votação no parlamento.

Está prevista a realização de duas manifestações no final da semana em Varsóvia: uma contra o direito ao aborto, outra a favor.

Leia Também: Tusk diz que Polónia não pode ser utilizada para ações militares