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Dentistas em Portugal triplicaram em 20 anos, diz Ordem

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                    Dentistas em Portugal triplicaram em 20 anos, diz Ordem
Dentistas em Portugal triplicaram em 20 anos, diz Ordem (Foto: Reprodução)

O número de dentistas em Portugal triplicou em 20 anos, mas a falta de acesso a cuidados de saúde oral persiste devido à distribuição desequilibrada dos profissionais no país, revelou hoje a Ordem dos Médicos Dentistas.

 

"Estamos com um número excessivo de médicos dentistas e temos paralelamente um problema de má colocação e fixação e dispersão destes médicos dentistas no território nacional", alertou hoje à Lusa o bastonário da Ordem dos Médicos Dentistas, Miguel Pavão, a propósito de um estudo que comparou dados sobre estes profissionais entre 2005 e 2025.

O estudo "Os Números da Ordem", da Ordem dos Médicos Dentistas (OMD), revela que o número de dentista em Portugal triplicou em 20 anos, ao mesmo tempo que aumentaram as desigualdades regionais e os profissionais que emigraram.

Em 20 anos, o número de médicos dentistas com inscrição ativa na OMD e que exercem e Portugal passou de 5.056, em 2005, para 13.876, em 2025.

No total, existem 16.571 dentistas inscritos na ordem, que inclui as inscrições ativas (13.876) e suspensas (profissionais que se inscreveram na ordem que podem trabalhar no estrangeiro, mas não em Portugal).

Em relação à distribuição desequilibrada de profissionais no país entre 2005 e 2025, a OMD concluiu, com base no estudo, que a situação se deve à concentração de dentistas nas áreas metropolitanas e na falta de trabalhadores em regiões do interior do país.

Na área Metropolitana do Porto existe um médico dentista por cada 557 habitantes e na Grande Lisboa por cada 827. Em contrapartida, no Alentejo Litoral o rácio sobe para 2.287 habitantes por profissional e no Baixo Alentejo para 2.028, indica o estudo.

Miguel Pavão salientou que, nas áreas de Lisboa e Porto, o número de dentistas está muito abaixo dos indicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), enquanto naquelas regiões do Alentejo "há falta de médicos dentistas".

De acordo com os rácios de referência da OMS, deverá existir um médico dentista por cada 1.500 a 2.000 habitantes.

Para combater a distribuição desadequada de profissionais, o bastonário disse que é necessário um planeamento que tenha em conta as necessidades da população, as assimetrias regionais e as condições dos profissionais.

O estudo concluiu também que estão a aumenta os médicos dentistas que emigraram nos últimos 20 anos, passando o número de inscrições suspensas na OMD de 532, em 2005, para 2.583, em 2025.

No total, 72,6% das inscrições suspensas estão associadas à saída de Portugal, segundo a OMD.

"Portugal está a formar médicos dentistas, mas já não é para seu benefício. Está a formar médicos dentistas para a emigração", alertou Miguel Pavão.

O país mais escolhido pelos profissionais que saem de Portugal com inscrição suspensa é França com 387 médicos dentistas, seguindo-se Itália (236), Reino Unido (225) e Espanha (193), indicou a OMD.

Em contrapartida, concluiu igualmente o estudo, os médicos dentistas estrangeiros estão a aumentar no país.

Em 2005, 8,5% das novas inscrições na OMD correspondiam a profissionais estrangeiros, uma proporção que alcançou os 32% em 2025, uma situação que o bastonário indicou estar relacionada com as propinas em Portugal serem baratas, em comparação com as de outros países da Europa.

O relatório da OMD concluiu ainda que a maioria dos dentistas (63,2%) com inscrição ativa são mulheres e a média de idades destes profissionais passou dos 35,8 anos, em 2005, para os 42 anos, em 2025, o que reflete "o progressivo envelhecimento da classe".

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