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Da cuspidela à "Alemanha nazi". Caldo entornou mesmo no Irlanda-Israel

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Da cuspidela à "Alemanha nazi". Caldo entornou mesmo no Irlanda-Israel (Foto: Reprodução)

República da Irlanda e Israel rubricaram, este domingo, um empate a uma bola, em encontro a contar para a quarta jornada da fase de grupos da Liga das Nações. Os homens da casa marcaram por Troy Parrott, aos 39 minutos, na conversão de uma grande penalidade, e os visitantes responderam, aos 47, por Dor Peretz... mas tudo isso acabou por ficar em segundo plano.

 

Isto porque, tal como já se esperava, os ânimos estiveram ao rubro, na TSC Arena, em Backa Topola, na Sérvia, recinto que serviu de palco neutro (o plano original passava por realizar-se no Dublin Aviva Stadium), precisamente, por conta da animosidade entre ambas as nações, fruto da posição assumida pelos britânicos a propósito do conflito com a Palestina.

O caldo começou a entornar ainda antes do apito inicial, quando os jogadores da República da Irlanda baixaram as cabeças ao hino de Israel. Seguiu-se a tradicional moeda ao ar, para decidir quem começaria com a bola, com os respetivos capitães, Caoimhin Kelleher e Dor Peretz, a recusarem cumprimentar-se ou a trocarem galhardetes.

A seleção anfitriã atuou com fumos negros nos braços, em honra das vítimas dos ataques à Faixa de Gaza, e o momento de maior tensão surgiu à quando o árbitro espanhol Martínez Munuera fez soar o apito para o intervalo, e os jogadores de ambas as equipas começaram a dirigir-se para os balneários.

De acordo com informações adiantadas pelo jornal The Irish Times, Damien Doyle, elemento da equipa técnica da República da Irlanda, alegou ter sido alvo de uma cuspidela por parte de um rival. No entanto, confrontado com este caso, na zona de entrevistas rápidas, o selecionador nacional, Heimir Hallgrimsson, recusou entrar em pormenores.

"É um caso para o Comité Disciplinar [da UEFA] analisar. Houve vários incidentes desta natureza que poderiam ter aumentado de tom", começou por afirmar o treinador islandês, em declarações prestadas à estação televisiva irlandesa RTE, já depois do apito final para a partida com a seleção de Israel.

"Nós fomos inteligentes o suficiente para parar antes que as coisas fossem longe demais. Eu senti que essa era a intenção, tentar intimidar-nos e levar-nos a fazer algo de estúpido, mas dou um grande mérito aos jogadores, pela maneira como geriram as suas emoções", acrescentou. A Federação Israelita de Futebol (IFA), por seu lado, optou por remeter-se ao silêncio.

Israel fala de "Alemanha nazi"

O próprio governo de Israel acabaria por recorrer, uma vez mais, à página oficial na rede social X (o antigo Twitter), para lamentar a posição assumida pela seleção da República da Irlanda, recorrendo ao plano histórico: "Enquanto alguns usam o campo de futebol como seu teatro político, para nós, isto é pessoal".

"1939: Jogadores irlandeses ergueram os braços em saudação à Alemanha nazi. 2026: Jogadores irlandeses baixaram a cabeça durante o hino de Israel. Hoje, os jogadores de Israel usaram fumos negros para recordarem aqueles que foram brutalmente massacrados pelo Hamas, a 7 de outubro, incluindo o antigo futebolista profissional Lior Asulin. Alguns de nós têm a pele no jogo. Outros, limitam-se a fazer dele um espetáculo", pode ler-se.

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