Cuidadores informais no Porto reivindicam apoio financeiro e férias
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Várias dezenas de cuidadores informais e pessoas com deficiências ou incapacidades concentraram-se hoje junto à Câmara do Porto para reivindicar apoio financeiro para quem cuida e direitos básicos como cuidados médicos e férias, à semelhança do trabalhador tradicional.
As dezenas de pessoas que estavam esta tarde na Avenida dos Aliados com tarja onde se lia "Cuidar é Trabalhar", os transeuntes podiam ouvir a canção do folclore tradicional português "Ó Laurindinha" adaptada às reivindicações de direitos e melhores apoios para os cuidadores, dedicada ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, ouvindo-se "Oh Montenegro vem à janela, ver os cuidadores, ai ai ai, e os filhos delas"
"Não posso parar para descansar", "Exigimos um salário e valorizem quem cuida", "Cuidadores respeitados, direitos assegurados", "Tens férias? Eu não!", "Quem cuida dos cuidadores? ", "O amor não paga as contas" ou "Hoje sou eu, amanhã és tu!" eram algumas das frases que se liam em cartazes escritos à mão pelos manifestantes.
Entre várias cadeiras de rodas, pandeiretas e bombos, Susana Sousa, cuidadora informal do filho há 23 anos - desde que ele nasceu -, declarou à Lusa que as principais reivindicações do grupo hoje concentrado nos Aliados estão relacionadas com direitos de todos os cuidadores informais.
"Atualmente existe um subsídio de cuidadora informal que a maioria dos cuidadores não tem e o subsídio que existe não é de todo um valor digno para uma pessoa sobreviver", denuncia Susana Sousa, uma das porta-vozes do grupo CIGA - Cuidadores Informais em Gestão Autónoma, referindo que maioritariamente as pessoas que têm o subsídio recebem uma quantia a rondar entre os 300 a 400 euros"
Teresa Sousa acrescenta que o apoio financeiro não oferece a dignidade à pessoa cuidadora, e lamenta que seja cada vez mais difícil conseguir obter esse apoio financeiro.
A mãe cuidadora avisa ainda o Governo que os cuidadores informais também têm que trabalhar e, portanto é preciso haver ajustes às medidas em vigor, para que "possam cuidar também das suas pessoas".
Outra das reivindicações relaciona-se com os cuidados de saúde.
"Neste momento, as pessoas que têm o subsídio, têm o estatuto, conseguem ter o acesso a uma enfermeira e a uma psicóloga, mas são imensas para essas duas pessoas, para essas funcionárias" e o que está a acontecer é que não existe uma consulta do cuidador, conforme existe a consulta do diabético", lamenta aquela cuidadora, referindo que podia existir a consulta do cuidador para prevenir muitas doenças que os cuidadores também começam a sofrer.
O cuidador não tem direito a férias, realça Susana, destacando que ao longo dos 23 a cuidar do filho nunca teve férias, reconhecendo que o que a salva é o apoio pontual da sua mãe uma vez por semana.
É raro a noite que não tenha que acordar com crises de epilepsia do meu filho e a maioritariamente dos cuidadores que aqui estão acontece a mesma coisa.
Questionada pela Lusa sobre se o Governo estava a dar apoio digno aos cuidadores, a porta-voz afirmou que o Governo "não está a olhar com dignidade" e que não está a saber escutar.
"Nós já tentamos mandar e-mails e, afinal de contas, as respostas foram zero. A questão aqui não é de todo partidária, não tem a ver com partidos. Porque se arrasta ao longo de todos os governos. (…) Temos um caminho muito longo para fase".
O grupo CIGA é uma comunidade no WhatsApp, que começou com um terapeuta ocupacional que visitava as casas e que acabou por ver as dificuldades as cuidadoras passam sozinhas.
O CIGA defende uma mudança urgente nas políticas públicas e exige o reconhecimento efetivo dos direitos dos cuidadores informais.
"Todas as sociedades têm de criar, de alguma forma, uma estrutura para cuidar das outras pessoas, caso contrário, nem a economia, nem nada, funcionará devidamente", lê-se num comunicado enviado à comunicação social.