COP31: Portugal prioriza renováveis e transição justa
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A ministra do Ambiente e Energia espera que na cimeira do clima que começa na segunda-feira sejam alcançados acordos sobre energias renováveis, transição justa e dependência dos combustíveis fósseis, mas alerta para o clima de crispação existente.
A propósito da 31ª reunião das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP31), Maria da Graça Carvalho considerou, em entrevista à Agência Lusa, que seria uma "boa COP" se todos os países concordassem com os objetivos de aumentar as energias renováveis, fazer uma transição justa, diminuir a dependência dos combustíveis fósseis e dar grande atenção à adaptação. Que esses temas, frisou, ficassem consensualizados e nas conclusões.
A conferência, em Antália, na Turquia, decorre entre 9 e 20 de novembro e a ministra estará a representar Portugal na segunda semana (na primeira estará o secretário de Estado do Ambiente). Deverá então, disse à Lusa, ser responsável pela ligação entre a União Europeia, o Brasil e a África do Sul, e na parte dos "dossiers" deverá negociar a questão da transição justa.
Na COP31 a União Europeia (UE) vai reafirmar a necessidade de triplicar a produção de energias renováveis, a importância de o mundo abandonar os combustíveis fósseis "de uma forma justa, ordenada e equitativa", e reafirmar o compromisso de se triplicar o financiamento à adaptação até 2035.
A Turquia propôs que fosse aprovada na COP31 uma meta de 35% de eletricidade como consumo final no planeta até 2035, um objetivo com o qual a UE concorda também.
E a nível nacional? Maria da Graça Carvalho respondeu: "levamos o nosso exemplo, aquilo que estamos a concretizar, o nosso exemplo na eletrificação, nas reduções das emissões, na aposta nas energias renováveis e como é que isso nos protegeu no preço da eletricidade".
"E vamos também reafirmar a nossa intenção de nos tornarmos cada vez mais independentes dos combustíveis fósseis. Isso para nós é um ponto muito importante, e temos que continuar a agir nessa área", adiantou.
Sobre a transição justa, a governante diz que nesta matéria Portugal é dos melhores exemplos a nível europeu, reconhecido pela Comissão, pela forma como ajuda as famílias e empresas vulneráveis a fazer essa transição, através de programas como o "E-lar" ou o dos 'vouchers' ou o dos carros elétricos.
Na entrevista à Lusa a ministra insistiu na necessidade de o mundo diminuir a dependência dos combustíveis fósseis, uma questão uma única vez abordada na COP do Dubai em 2023. "Esse é um objetivo que eu considero essencial e que seja novamente reafirmado, que cada país tenha o seu calendário e o seu plano de ação para diminuir a dependência de combustíveis fósseis".
Maria da Graça Carvalho admitiu que continua a haver muita dependência dos combustíveis fósseis, Portugal incluído, o que foi visível na atual crise dos combustíveis provocada pela guerra do Irão.
"A nossa vida aqui, e na maior parte dos países, está muito organizada à volta dos meios de transporte e dos sistemas que usam combustíveis fósseis e, portanto, vai ser difícil" fazer a transição, disse.
"Para mim é talvez o ponto mais importante na COP e o ponto mais importante também em Portugal, como é que nós conseguimos eletrificar mais e o que não pode ser eletrificado, substituir por combustíveis, mas de origem renovável, aquilo que nós chamamos as moléculas verdes, os gases renováveis", adiantou a ministra.
E essa transição, afiançou, não é apenas uma questão climática, é menos dependência de guerras, de conflitos que podem pôr problemas graves até à segurança de abastecimento e à soberania de um país.
"Sei que as negociações vão ser negociações difíceis porque já no ano passado elas foram muito difíceis com os países produtores de petróleo, muito liderados pela Arábia Saudita", disse Maria da Graça Carvalho, apontando também a Rússia e as suas posições.
No ano passado, no Brasil, já foi difícil negociar, porque houve mais agressividade dos países produtores de petróleo. É que, disse a ministra, foram países sempre firmes a defender os combustíveis fósseis mas a postura agora "é mais agressiva", são países "que se tornaram mais vocais e intransigentes", o que faz parte do clima que se vive a nível internacional.
Ainda assim otimista, Maria da Graça Carvalho disse que estas reuniões são sempre importantes, porque são um local onde os países se continuam a encontrar e, mesmo com negociações difíceis, continuam a negociar. "E isso é importante".
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