Colubrina do século XVI de Angra do Heroísmo proposta para tesouro
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A Museus e Monumentos de Portugal (MMP) vai propor à tutela a classificação como tesouro nacional de uma colubrina (canhão) em bronze de 1545, do Museu de Angra do Heroísmo, nos Açores, foi hoje divulgado.
De acordo com um anúncio hoje publicado em Diário da República, assinado pelo presidente do conselho de administração da MMP, Alexandre Nobre Pais, é intenção propor à ministra da Cultura, Juventude e Desporto, a classificação como bem móvel de interesse nacional da colubrina em bronze da autoria do mestre fundidor João Dias, datada de 1545, pertencente ao acervo do Museu de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.
Segundo a publicação, o processo administrativo original de classificação da colubrina "como bem móvel de interesse nacional (dito 'tesouro nacional')", está disponível para consulta, mediante marcação prévia, na Museus e Monumentos de Portugal, E. P. E., Direção de Coleções, Circulação e Classificação, no Palácio Nacional da Ajuda, em Lisboa.
Os elementos relevantes do projeto de decisão estão disponíveis na página eletrónica da MMP (https://www.museusemonumentos.pt/pt/).
O prazo para os interessados se pronunciarem é fixado em 30 dias úteis.
A colubrina de bronze do século XVI, encontrada na Baía de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, pode ser a primeira peça nos Açores classificada como bem móvel de interesse nacional.
O procedimento de classificação foi aberto no dia 14 abril deste ano.
O anúncio então emitido pela MMP referia que a proteção e valorização da peça, que integra o acervo do Museu de Angra do Heroísmo, "representam um valor cultural de significado relevante para a Nação".
O procedimento com vista à classificação da colubrina como património móvel de interesse nacional tinha sido determinado por uma resolução do Conselho de Governo da Região Autónoma dos Açores, em dezembro de 2023, "em virtude do seu elevado valor histórico, arqueológico e artístico".
Jaime Regalado, técnico superior do Museu de Angra do Heroísmo, defendeu, num artigo na revista National Geographic, que a colubrina, construída em 1545, pelo mestre fundidor João Dias, possa ser a "mais antiga boca-de-fogo de bronze fundida em Portugal".
A colubrina foi retirada da Baía de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, em 07 de agosto de 1972, numa expedição internacional de arqueologia subaquática, liderada por Sidney Wignall.
"Foi feita uma intervenção de limpeza e de estabilização, mas ela estava em muito bom estado de conservação", referiu, em abril, em declarações à Lusa, a diretora regional da Cultura dos Açores, Judite Parreira.
Judite Parreira destacou a "valorização que o Museu de Angra do Heroísmo faz das suas peças únicas" e lembrou o papel de Manuel Coelho Baptista de Lima, que dá hoje nome ao núcleo militar.
Baptista de Lima era diretor do Museu de Angra do Heroísmo quando foi realizada a expedição internacional que pretendia "localizar um navio de guerra britânico que tinha naufragado na costa sul da ilha" Terceira.
"Não conseguiram localizar o navio, mas encontraram um elevado número de objetos arqueológicos, entre os quais a nossa colubrina", adiantou a diretora regional da Cultura.
Nessa altura, foi criada "a primeira equipa de arqueologia subaquática internacional".
Desse trabalho resultou também "a primeira reserva arqueológica subaquática portuguesa", na Baía de Angra do Heroísmo, em 1973.
Durante muito tempo, a colubrina de João Dias esteve no pátio do Museu de Angra do Heroísmo, no antigo Convento de São Francisco, mas agora pode ser vista no Núcleo de História Militar Manuel Coelho Baptista de Lima, instalado no antigo Hospital Militar da Boa Nova.
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