Christa Pike está "consciente e a falar" após duas injeções letais
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Christa Pike, a norte-americana condenada à morte que sobreviveu a duas injeções letais no estado do Tennessee, na semana passada, está "consciente e a falar" enquanto recebe "cuidados médicos intensivos".
"Contra todas as probabilidades, Christa Pike está consciente, fala e continua a receber cuidados médicos intensivos. Apesar dos graves danos que sofreu nos braços, continua algemada e acorrentada à cama. A sua recuperação é algo sem precedentes do ponto de vista médico. O seu prognóstico permanece incerto, mas, no mínimo, esperamos uma recuperação longa", afirmaram os seus advogados através de um comunicado citado pela agência de notícias The Associated Press (AP).
Os seus advogados disseram ainda estar gratos aos socorristas e à equipa médica do hospital, "que trataram Christa como um ser humano e lhe prestaram cuidados excecionais".
Christa Pike, atualmente com 50 anos, era a única mulher no corredor da morte no estado norte-americano do Tennessee e sobreviveu às duas doses letais de pentobarbital administradas durante a execução, na quarta-feira passada.
Pike permaneceu acordada, falou e cantou com o guia espiritual, após o início da administração do fármaco e, após a primeira dose, continuou a mover-se e a respirar de forma audível.
Segundo testemunhas, Pike estava viva e a fazer barulhos mesmo depois da segunda tentativa de injeção letal, tendo sido transportada de ambulância da prisão.
O Departamento de Correções do Tennessee afirmou, num comunicado, que "seguiu todas as etapas do protocolo legal e estabelecido para execuções, aprovado pelo Gabinete do Procurador-Geral".
Este protocolo determina que um segundo conjunto de seringas com medicamentos seja administrado "se o recluso não estiver morto" após o primeiro conjunto. O protocolo não especifica o que deve acontecer se a pessoa continuar viva depois da segunda dose.
Após o incidente, o governador do estado do Tennessee (EUA), Bill Lee, anunciou uma suspensão temporária das execuções previstas para 2026.
Condenada a pena de morte por crime cometido em 1995
Pike foi condenada à pena de morte pelo homicídio de Colleen Slemmer, uma colega de 19 anos do programa de formação profissional Job Corps, em Knoxville, em 1995.
Slemmer foi esfaqueada e espancada até à morte por Pike e o namorado, colega de ambas na mesma instituição. O caso tornou-se um dos mais mediáticos da altura nos Estados Unidos, sobretudo devido ao facto de o casal ter gravado um pentagrama - um símbolo associado a Satanás - no corpo da vítima.
Segundo a acusação, Pike receava que Slemmer estaria a tentar roubar-lhe o namorado e, por isso, atraiu-a para uma zona arborizada a 12 de janeiro de 1995, onde a esfaqueou com um x-ato e a agrediu com um pedaço de asfalto. Tadaryl Shipp, o namorado de Pike, admitiu ter sido responsável por gravar o pentagrama.
A mulher foi condenada à pena de morte em março de 1996, enquanto o namorado recebeu uma pena de prisão perpétua, com possibilidade de liberdade condicional, por ser menor de idade na altura em que ocorreu o crime.
[Notícia atualizada às 22h29]