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Ceuta. Último acampamento de migrantes desmantelado antes da visita real

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                    Ceuta. Último acampamento de migrantes desmantelado antes da visita real
Ceuta. Último acampamento de migrantes desmantelado antes da visita real (Foto: Reprodução)

As autoridades espanholas desmantelaram hoje o último grande acampamento de migrantes em Ceuta, dois dias antes de uma visita do Rei Felipe VI, a primeira em 20 anos de um chefe de Estado de Espanha.

 

O Ministério do Interior disse que foram mobilizados 350 agentes da polícia para a operação, segundo um comunicado citado pela agência francesa AFP.

Trata-se da quinta operação deste tipo em Ceuta nas últimas semanas, "a fim de desocupar os espaços públicos da cidade", disse o ministério.

O acampamento foi formado após um afluência massiva e inédita de mais de 70.000 pessoas que entraram ilegalmente no enclave espanhol no norte de África, provenientes do vizinho Marrocos, a 30 e 31 de julho.

A maioria das pessoas regressou a Marrocos em poucos dias, mas milhares permaneceram em Ceuta, dormindo na rua ou nas praias.

A vaga súbita de chegadas, durante a qual dezenas de pessoas morreram, esteve na origem de uma crise política em Madrid, bem como de fortes tensões diplomáticas no âmbito da União Europeia.

Pouco depois das 08:00 locais (07:00 em Lisboa), polícias acompanhados por soldados chegaram à esplanada El Guano, onde centenas de migrantes acampavam em abrigos improvisados após o desmantelamento de outros acampamentos nas praias vizinhas.

Os migrantes foram transportados em autocarros e levados para centros de acolhimento, enquanto equipas de limpeza intervieram na esplanada e na praia.

Alguns migrantes fugiram para as colinas vizinhas para evitar entrar nos autocarros.

As autoridades localizaram muitos menores de idade que ainda permaneciam no acampamento, apesar das transferências efetuadas durante as últimas semanas para os centros de proteção, segundo a agência espanhola EFE.

Os agentes separaram os jovens dos adultos para organizar a sua assistência e o transporte por vias diferenciadas e, entre eles, encontravam-se alguns que transportavam cartazes a solicitar a entrada em centros de acolhimento.

De acordo com as autoridades, há 2.827 menores de idade nos centros de acolhimento de Ceuta, 86 foram reagrupados com familiares que já viviam em Espanha e outros 179 foram transferidos para outras regiões do país.

Os reis Felipe VI e Letizia são esperados em Ceuta na terça-feira, numa viagem coordenada com o Governo.

Felipe VI vai visitar pela primeira vez Ceuta desde que foi proclamado Rei, em 2014, e vai tornar-se o primeiro chefe de Estado espanhol a dormir no enclave desde 1927.

Será também a primeira visita de um monarca espanhol a Ceuta e Melilla desde a viagem de Juan Carlos em novembro de 2007, que provocou uma crise diplomática com Marrocos.

Marrocos reivindica a soberania sobre Ceuta e Melilla, cerca de 500 quilómetros mais a leste, os dois enclaves espanhóis no norte de África.

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Lusa | 10:14 - 11/10/2026