CEO do grupo Adolfo Domínguez diz que negócio da moda é para aventureiros
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A presidente executiva (CEO) do grupo Adolfo Domínguez, Adriana Domínguez, afirma que neste momento não se está a viver uma macroeconomia muito estável e que o negócio de moda é para aventureiros.
Apesar de ser uma empresa familiar - que conta com 50 anos de história -, a Adolfo Domínguez é cotada em bolsa.
Portanto, "a dinâmica é, em grande medida", a de uma cotada, "uma empresa internacional que conta com 1.002 colaboradores. Por isso, a primeira coisa que digo é que tem sido uma enorme responsabilidade e uma grande honra poder levar este legado por mais 10 anos, avançando para o futuro", afirma Adriana Domínguez, em jeito de balanço da sua liderança que assumiu em 2017.
Também "tem sido um grande desafio, porque o mundo muda constantemente", salienta, apontando que a pandemia covid-19 foi "um fator de enorme disrupção, pois, no retalho, significou que todas as lojas permaneceram fechadas durante muitos e muitos meses seguidos — uma situação extremamente difícil", relata a gestora.
Aliás, "em muitos mercados, durou cerca de um ano e meio" e, no Japão, "chegou a durar três ou quatro anos".
Depois, quando a situação parecia começar a encaminhar-se, surgiu, de repente "uma guerra" e a "isto juntam-se problemas com transportes e combustível", elenca a CEO da marca de moda espanhola.
"Portanto, não creio que estejamos a viver num cenário macroeconómico muito estável neste momento", considera Adriana Domínguez, referindo que o mundo está sempre "um pouco abanado".
Diz que tenta procurar inspiração para contornar estes cenários desafiantes na sua própria família.
"O meu pai passou por uma situação em que um incêndio destruiu toda a empresa, em 1991", conta, relatando que foi "algo terrível" e cuja recuperação "exigiu um esforço imenso".
Além disso, "os meus avós, que fundaram o negócio, vieram de uma guerra civil e enfrentaram uma economia pós-guerra", o que também foi extremamente difícil, salienta a gestora.
"Por isso, tento não ser uma pessoa sombria. Considero que, no mundo empresarial, é fundamental manter uma postura otimista e positiva" porque "esta é a única forma de fazer as coisas acontecerem", defende Adriana Domínguez.
"Estou a aprender muito, sempre aprendi. Sou uma pessoa curiosa", prossegue, quando questionada sobre o balanço que faz à frente do grupo.
"Atualmente, temos uma empresa jovem que acolhe as mudanças e que se sente à vontade para continuar a mudar, mas, a nível pessoal, posso dizer que tem sido um grande desafio: o mundo é desafiante e a moda também o é", sublinha.
Até porque a moda envolve 1.200 referências diferentes a cada seis meses", ou seja, "o produto muda constantemente, o que torna muito difícil saber o que será vendido e o que não será", diz.
Por isso, "é, sem dúvida, um negócio para aventureiros", remata.
A empresa começou em Ourense, Espanha, em 1950, como alfaiataria e confeção de camisas, e adotou o nome Adolfo Domínguez em 1976, tendo a marca se apresentado pela primeira vez na Cibeles em 1980.
Em 1997, a Adolfo Domínguez tornou-se na primeira empresa de moda espanhola a entrar em bolsa de Madrid.
Depois do impacto da crise financeira, em 2008, e de um período de prejuízos, a empresa avançou para uma nova fase, com Adriana Domínguez a assumir a presidência executiva.
No ano fiscal 2025/26, que terminou em fevereiro, registou um lucro de 1,64 milhões de euros, um aumento de 81%, e as receitas cresceram 1,84% para 139 milhões de euros.
Atualmente, a marca de moda tem 379 pontos de vendas em 54 países, sendo que 43,4% das vendas são realizadas internacionalmente.
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