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Cascas de noz viram solução inovadora para produção de alface

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                    Cascas de noz viram solução inovadora para produção de alface
Cascas de noz viram solução inovadora para produção de alface (Foto: Reprodução)

Um estudo da Universidade de Évora (UÉvora) demonstra que uma mistura de cascas de noz e biochar pode substituir "20%" da fibra de coco de um substrato hortícola, mantendo a produtividade da alface, foi hoje divulgado.

 

Em comunicado, a UÉvora acrescenta que este estudo desenvolvido na Herdade Experimental da Mitra, provoca ainda uma redução em "61%", na concentração de nitratos nas folhas da alface.

De acordo com o documento, uma equipa multidisciplinar da UÉvora avaliou o potencial das cascas de noz trituradas, um subproduto da indústria agroalimentar, como componente de substratos para a produção de alface em estufa.

"O estudo, publicado na revista científica internacional Horticulturae, reuniu investigadores das áreas das Ciências Agrárias e da Química e Bioquímica, envolvendo o Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento (MED) e do Instituto para as Alterações Globais e Sustentabilidade (CHANGE), lê-se no documento.

No ensaio, foram "comparadas diferentes misturas" de fibra de coco, cascas de noz e biochar, um material rico em carbono obtido por transformação termo química de biomassa.

"Entre as formulações estudadas, destacou-se a combinação de 80% de fibra de coco, 12% de cascas de noz e 8% de biochar (em volume). Este substrato permitiu obter uma produtividade de 7,1 kg de alface fresca por metro quadrado, comparável à registada com o substrato de referência, constituído exclusivamente por fibra de coco", explicam.

A concentração de nitratos nas folhas, segundo o estudo, "diminuiu cerca de 61%", passando de "aproximadamente 4.130 para 1.600 mg/kg" de matéria fresca.

"Verificou-se também um aumento do teor de antocianinas, compostos naturais da família dos flavonoides associados à atividade antioxidante", acrescentam.

Os investigadores destacam ainda que os resultados mostram que a composição dos substratos "pode influenciar não apenas a produtividade" das culturas, mas "também características importantes" da qualidade dos produtos hortícolas.

Ao explorar uma nova utilização para as cascas de noz, os investigadores consideram que o trabalho contribui para o desenvolvimento de "soluções alinhadas com os princípios da economia circular" e para a "diversificação das matérias-primas utilizadas na horticultura", com potencial para reduzir a dependência de materiais importados.

"A investigação constitui um passo promissor para a valorização de resíduos agroindustriais e para o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas na horticultura, sendo necessário prosseguir os estudos para otimizar as formulações, a gestão da rega e a sua aplicação em diferentes culturas e condições de produção", acrescentam.

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