Carregar sem parar? A tecnologia que pode "mudar o jogo" dos elétricos
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Carregar um carro elétrico exige que este seja parado e ligado a um posto de carregamento, o que pode ser um constrangimento em viagens mais longas que exijam paragens para carregar.
Também os modelos de combustão requerem paragens para reabastecer mas, com a tecnologia existente hoje em dia, o processo de carregamento de um carro elétrico demora alguns minutos na melhor das hipóteses.
A Honda está a investigar uma tecnologia que pode ser uma chave para futuros carros elétricos, tornando-os menos dependentes dos postos de carregamento. Chama-se Dynamic Wireless Power Transfer (DWPT) - ou seja, transferência de energia dinâmica sem fios.
Num trabalho conjunto com a Taisei Corporation e a Taisei Rotec, desenvolveu a tecnologia de base para este sistema. De forma simples, consiste em unidades transmissoras de energia incorporadas na estrada que transmitem essa mesma energia a uma unidade recetora no veículo. Significa isto que o carro pode ser carregado em movimento sem haver um contacto físico direto.
Segundo um comunicado do fabricante, "em vez de armazenar eletricidade na bateria do veículo antecipadamente, o veículo usa eletricidade gerada numa fábrica, que é entregue ao veículo através de unidades transmissoras de energia".
Os objetivos passam por reduzir a necessidade de recarga, bem como a viabilização da eletrificação de pesados comerciais que precisam de percorrer grandes distâncias mantendo a disponibilidade operacional.
A tecnologia que a Honda está a desenvolver em conjunto com o Grupo Taisei é capaz de transmitir energia a um ritmo de até 150 kW. É expectável que o tempo de carregamento seja reduzido, já que a viatura está em movimento enquanto é alimentada. Com o uso de fontes renováveis para o sistema transmissor, a solução idealizada permite que a energia gerada numa determinada localização geográfica seja lá utilizada.
Este carregamento sem fios de automóveis em movimento parte do mesmo princípio dos carregadores wireless de smartphones, com a transferência de energia a ocorrer através de um campo magnético entre bobinas montadas quer na estrada, quer no automóvel.
A bobina é um dos componentes chave do sistema, ao ficar encarregue da transmissão e da receção da energia. A unidade recetora é de dimensões contidas para que caiba dentro do sub-chassis de um veículo de passageiros. O fio Litz e a fita de cobre são usados no sistema, que inclui inversor e bobina em cada uma das partes (nas unidades transmissoras na estrada e nos recetores do carro).
O fabricante propõe, também, que as unidades transmissoras embutidas nas estradas sejam duráveis e fáceis de instalar, considerando que a sua adoção dependerá em grande medida da facilidade de instalação e da manutenção.
Testes começam em breve
Funcionamento da tecnologia© Honda
A tecnologia DWPT não está no domínio laboratorial, muito menos da ficção científica. A Honda revelou que, já a partir do ano fiscal de 2027 que começa em abril, deverão arrancar testes de demonstração em via pública no Japão - num projeto em que irá participar.
Já em 2026, deverá ser construída uma estrada de testes no Future Technology Field for Taisei Group/Tamura, em que serão conduzidos testes para avaliar aspetos como a durabilidade a longo termo ou o desempenho.