Campanha no Baixo Mondego resultou em 200 mil toneladas de alimentos
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A campanha agrícola deste ano no Baixo Mondego produziu cerca de 200 mil toneladas de alimentos, com destaque para o milho e arroz, números em linha com a ambição dos agricultores, disse o presidente da associação de regantes.
Os dados hoje revelados por José Pinto Costa, presidente da Associação de Beneficiários da Obra de Fomento Hidroagrícola do Mondego, situam-se "dentro daquilo que era esperado", depois de um ano que começou com sucessivas tempestades e uma cheia que colocou grande parte dos 12 mil hectares agrícolas debaixo de água.
Às campanhas agrícolas, no entanto, não faltou água e, face ao aumento dos custos e fatores de produção, consequência da situação internacional, até a natureza deu uma ajuda, com o tempo quente dos últimos meses a dispensar o combustível necessário aos secadores, já que os cereais "saíram dos campos já secos".
Em declarações à agência Lusa, à margem de uma visita ao vale do Mondego de José Eduardo Reis, diretor-geral da DGADR - Direção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Pinto Costa enalteceu a resposta das tutelas da Agricultura e do Ambiente aos danos causados pelo 'comboio' de tempestades de janeiro e fevereiro.
"Hoje, com a vinda do senhor diretor-geral, é um dia bastante positivo. Chegámos a um momento em que percebemos que, com alguma resiliência, da parte dos agricultores e uma vontade de querer agilizar processos, por parte do ministério da Agricultura, foi possível agricultar estes 12 mil hectares, que são o sustento de 2.500 famílias", vincou.
Do lado da DGADR, José Eduardo Reis notou que o vale do Mondego viu uma candidatura de 4,35 milhões de euros (ME) aprovada pelo PEPAC (Plano Estratégico da Política Agrícola Comum) a 15 de junho, com várias rubricas, onde se incluem o restabelecimento do potencial produtivo – infraestruturas e caminhos agrícolas, entre outras ações -, compensação dos agricultores que viram cerca de 50 hectares invadidos por areias (com o colapso do dique do canal central do rio) e não puderam produzir ou a remoção das várias toneladas desses inertes, avaliada em quase 1,2 milhões de euros, e que deverá estar concluída no início de dezembro.
José Eduardo Reis esclareceu que a execução dos 4,35 ME é assumida pelo dono da obra, a Associação de Beneficiários, que é uma associação de direito público e gere o regadio do vale do Mondego em regime de concessão.
"A DGADR não tem apenas funções de fiscalização e de regulador, entre aspas, nós diariamente falamos com as associações, damos apoio técnico e logístico. Quis vir ao terreno porque estou na DGADR há três, quatro meses e há uma lógica de estar junto dos agricultores, de ir aos campos agrícolas, a agricultura não é em Lisboa", frisou.
Uma das situações em que a associação beneficiou do apoio logístico da direção-geral respeitou à cedência de um terreno para o acondicionamento da areia retirada dos terrenos agrícolas, a qual será vendida, resultando numa receita extraordinária para a gestora do regadio.
Presente na visita de hoje, o deputado e presidente da Comissão de Agricultura e Pescas da Assembleia da República, Maurício Marques (PSD), notou que se a atuação da ministra do Ambiente foi muito destacada na resposta às cheias, "o papel do ministro da Agricultura não foi menos relevante".
Maurício Marques lembrou as causas por detrás dos prejuízos no Baixo Mondego, apontando "a falta de manutenção, durante muitos anos" da obra hidroagrícola.
"E não se deve passar uma esponja sobre isso, temos de aprender com o passado, para prevenir o futuro, e temos de fazer manutenção permanente", defendeu Maurício Marques.
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