Câmara de Gaia rejeita estação de Alta Velocidade em Santo Ovídio
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A Câmara Municipal de Gaia volta a rejeitar hoje a construção de uma estação da linha ferroviária de alta velocidade em Santo Ovídio e exige que seja avaliada a alternativa na zona de Mafamude e Vilar do Paraíso.
A poucos dias do lançamento da primeira pedra da linha de alta velocidade, a Câmara Municipal de Gaia "reafirma a sua oposição à localização prevista para a estação em Santo Ovídio e exige que as entidades responsáveis reconsiderem uma solução para evitar perturbações profundas e prolongadas no funcionamento da cidade", lê-se num comunicado do município divulgado hoje à noite.
Na nota, a câmara de Gaia recorda que esta posição do município já é conhecida e "tem sido transmitida de forma consistente às entidades competentes desde 10 de novembro de 2025, cinco dias após a tomada de posse do atual executivo".
Citado na nota, o presidente da câmara municipal de Gaia, Luís Filipe Menezes, alerta para "a enorme gravidade potencial dos impactos" de, pelo menos, cinco anos de constrangimentos na mobilidade, da circulação diária de cerca de 200 camiões para movimentação de um volume excecional de terras, "com risco de prejuízos muito graves para o comércio local, além das dificuldades de acesso ao Hospital de Gaia através da Rua Conceição Fernandes".
A estes efeitos "somam-se as consequências ambientais e urbanísticas numa das zonas mais movimentadas da cidade", acrescenta a nota da câmara.
Assim, para a câmara de Gaia, "não é aceitável" que o projeto avance com a localização da estação em Santo Ovídeo sem responder às objeções apresentadas e sem avaliar devidamente uma alternativa que permita reduzir os impactos.
No comunicado, Luís Filipe Menezes defende que "ainda há tempo de transferir a estação para um sítio onde não é preciso desenterrar nada, um sítio plano, onde a cidade pode crescer com qualidade para sul, na zona de Mafamude e Vilar do Paraíso".
E acrescenta: "A obra pode começar segunda-feira, mas ainda há tempo de fazer rapidamente o que é necessário, começando pelo Estudo de Impacte Ambiental".
Por isso, a câmara "exige que a alternativa na zona de Mafamude e Vilar do Paraíso seja efetivamente avaliada, incluindo através do respetivo Estudo de Impacte Ambiental, e que as preocupações do Município tenham uma resposta técnica e institucional fundamentada".
"Gaia não pode ser chamada a suportar anos de perturbações profundas, sem que sejam devidamente consideradas soluções capazes de proteger a cidade, os seus habitantes e a sua economia" sublinha a nota do município.
Concluindo que a posição da câmara é inequívoca: "Apoia a concretização da Alta Velocidade, mas rejeita a localização da estação em Santo Ovídio".
E sublinha que "o apoio a este investimento não constitui um cheque em branco para uma solução que o Município considera gravemente lesiva para os gaienses".
A linha de alta velocidade deverá ligar Porto e Lisboa numa hora e 15 minutos em 2032, com paragens possíveis em Gaia, Aveiro, Coimbra e Leiria, e Porto a Vigo (via aeroporto do Porto, Braga, Ponte de Lima e Valença) em 50 minutos, em 2032.
As linhas de alta velocidade Lisboa-Porto, Porto-Vigo e Lisboa-Madrid estão enquadradas a nível nacional no Plano Nacional de Investimentos 2030 (PNI 2030) e a nível da União Europeia no Regulamento da Rede Transeuropeia de Transportes (RTE-T).
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