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Bulgária escolhe novo presidente ensombrada por guerra no mar Negro

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                    Bulgária escolhe novo presidente ensombrada por guerra no mar Negro
Bulgária escolhe novo presidente ensombrada por guerra no mar Negro (Foto: Reprodução)

Os búlgaros votam no domingo para eleger um novo Presidente, após uma campanha centrada na guerra russa na Ucrânia e na intensificação das hostilidades no mar Negro, junto à Bulgária, incluindo ataques letais de drones a cargueiros.

 

Nas últimas semanas, intensificou-se a ameaça àquela rota de navegação global, quando quatro cargueiros foram atingidos em águas da Zona Económica Exclusiva (ZEE) da Bulgária, dois dos quais se afundaram, com um balanço de dois mortos e pelo menos 25 marinheiros ainda desaparecidos.

Os candidatos presidenciais abordaram ainda os receios da população quanto à subida dos preços da energia e à inflação crescente, num cenário em que muitos búlgaros, sobretudo nas zonas rurais, enfrentam dificuldades em suportar as despesas básicas.

Embora seja defensor do diálogo com Moscovo e do fim das sanções, o primeiro-ministro búlgaro, Rumen Radev, convocou a 13 de outubro a embaixadora russa em Sófia, depois de os ataques a navios mercantes no mar Negro terem aproximado da sua costa a guerra na Ucrânia.

Apesar de o seu Governo considerar que tais ataques servem os interesses da Rússia, sublinhou também que não existem, até ao momento, provas que permitam atribuir formalmente a responsabilidade ao país.

A favorita nas sondagens é uma aliada próxima do primeiro-ministro: a vice-presidente durante nove anos de mandato presidencial de Radev e atual Presidente, Iliana Iotova.

A ex-jornalista, uma figura destacada do Partido Socialista Búlgaro (herdeiro do antigo Partido Comunista) e também ex-eurodeputada, assumiu em janeiro deste ano o cargo de Presidente da Bulgária, sucedendo ao próprio Radev, que abandonou a chefia do Estado para fazer campanha, vencer as eleições legislativas de abril e tornar-se primeiro-ministro.

De acordo com uma sondagem da Market Links divulgada na quarta-feira, Iliana Iotova — que completa no sábado 62 anos — reúne 47,3% das intenções de voto, contra 30,6% para o economista Andrey Gyurov, de 50 anos, o candidato apoiado pela oposição reformista e pró-ocidental.

A participação poderá, contudo, ficar abaixo dos 40% nestas presidenciais, que contam com 27 candidatos – aquém, portanto, do limiar dos 50% que tornariam o seu resultado vinculativo -, obrigando à realização de uma segunda volta do escrutínio.

Em caso de vitória na segunda volta, agendada para 01 de novembro, Iliana Iotova tornar-se-á a primeira mulher eleita como Presidente deste país balcânico de 6,6 milhões de habitantes, membro da União Europeia (UE) e da NATO.

Apelando para o sentimento patriótico, Iotova lançou a sua campanha em frente à Igreja de Ouro de Veliki Preslav, antiga capital do Primeiro Império Búlgaro.

Multiplicou também as exortações à unidade nacional e ao combate à pobreza, e fez do fim da guerra na Ucrânia um tema central da sua campanha, prometendo ser uma "Presidente da paz".

Sem questionar a permanência da Bulgária na UE (a que aderiu em 2007) e na NATO (em 2004), a dirigente critica a continuação da ajuda militar à Ucrânia e defende negociações entre Moscovo e Kiev.

"Não precisamos de uma Coligação de Voluntários para a Ucrânia, mas de uma Coligação para a Paz na Ucrânia", declarou durante um comício, referindo-se à aliança de países europeus que apoiam Kiev.

Historicamente próxima da Rússia, a Bulgária continua profundamente dividida quanto às suas relações com Moscovo.

Estas eleições presidenciais opõem duas visões da Bulgária: uma "conservadora, popular e virada para o Leste", e outra "ocidental, elitista e liberal", segundo o politólogo fundador do instituto de sondagens Myara, Parvan Simeonov.

Ao contrário de Iliana Iotova, Andrey Gyurov, ex-vice-governador do Banco Central da Bulgária e ex-primeiro-ministro interino, cargo que desempenhou nos primeiros meses deste ano, é um crítico implacável da política externa do Governo de Radev.

Durante o seu breve período na chefia do Governo, apontou como prioridades o combate à compra de votos e à desinformação e a gestão da crise política no país, tendo desenvolvido diversas iniciativas, a nível nacional e internacional, que rapidamente aumentaram a sua popularidade no país, como a assinatura de um acordo de cooperação com a Ucrânia por um período de dez anos.

O pacto foi prontamente criticado por Radev e Iotova, que o acusaram de impulsionar o conflito e de envolver a Bulgária na guerra.

Segundo os observadores, as suas hipóteses de vencer as presidenciais aumentarão exponencialmente numa segunda volta.

Defensor de um forte alinhamento euro-atlântico, Gyurov considera que "a diplomacia é necessária, mas não substitui nem a dissuasão, nem as alianças".

Com uma maioria absoluta no parlamento — num país que passou por oito eleições legislativas desde 2021 —, Radev pôs fim, em junho, ao envio de armas dos arsenais das Forças Armadas búlgaras para a Ucrânia, anunciando, em seguida, a retirada de Sófia da Coligação de Voluntários.

A indústria bélica búlgara continua, todavia, a abastecer a Ucrânia e, apesar do seu discurso pacifista, Iliana Iotova inaugurou recentemente umas novas instalações da fábrica Arsenal, em Kazanlak, no centro do país, o maior fabricante de armamento do país.

Nas ruas de Sófia, a poucos dias da votação, muitos eleitores desvalorizam a importância do escrutínio.

"O Presidente não tem poder real; quem detém o poder é, na verdade, o parlamento. O Presidente não pode mudar nada", afirmou Alexandra Botkova, uma comerciante de 22 anos.

"Estas eleições não têm qualquer importância", acrescentou Plamen Nikolov, um eletricista de 65 anos, que garantiu que não vai votar.

Neste regime parlamentar, o Presidente, eleito por sufrágio universal para um mandato de cinco anos e reelegível uma vez, exerce funções essencialmente representativas, mas dispõe de poder de veto sobre as leis, é o comandante supremo das Forças Armadas, assina tratados internacionais e nomeia embaixadores.

A diretora-adjunta do Conselho Europeu de Relações Exteriores (ECFR, na sigla em inglês), Vessela Tcherneva, sublinha, pelo contrário, que "esta eleição é importante, porque o Presidente simboliza a unidade da nação e a orientação estratégica do país".

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