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Bruxelas quer UE preparada para aquecimento global de 3º C até 2100

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                    Bruxelas quer UE preparada para aquecimento global de 3º C até 2100
Bruxelas quer UE preparada para aquecimento global de 3º C até 2100 (Foto: Reprodução)

A Comissão Europeia propôs hoje que as decisões políticas na União Europeia passem a ter em consideração a possibilidade de o aquecimento global atingir 3ºC até 2100, após um verão marcado por temperaturas extremas no continente.

 

Em conferência de imprensa de apresentação deste plano, a vice-presidente da Comissão Europeia Teresa Ribera afirmou que "a crise climática não é uma farsa".

"As alterações climáticas não são apenas reais, são uma causa direta de mortalidade: basta pensar nas entre 30 mil e 50 mil mortes prematuras que ocorreram este verão na Europa. E as alterações climáticas também estão a destruir riqueza e infraestruturas", advertiu.

Após um verão extremo, marcado por recordes de temperatura em vários países europeus, níveis de água historicamente baixos em rios como o Reno ou o Danúbio - que provocaram o encerramento de centrais nucleares -, ou incêndios em Estados-membros com temperaturas tipicamente mais amenas, como a Alemanha, Bélgica ou Países Baixos, Teresa Ribera alertou também para os custos que as alterações climáticas têm na economia.

"Se as condições registadas nos cinco anos mais quentes de cada país, entre 2014 e 2024, se repetissem ao longo de 2030, as perdas acumuladas de PIB poderiam atingir entre 5% e 7% nas economias mais expostas. Países como a França, a Itália, a Alemanha ou a Espanha poderiam registar perdas entre 120 mil milhões e 240 mil milhões de dólares", salientou.

Por isso, a vice-presidente da Comissão Europeia defendeu que garantir que a União Europeia (UE) se torna resiliente às alterações climáticas não é "apenas um objetivo ambiental", mas uma "condição essencial para garantir a competitividade a longo prazo".

Nesse sentido, a Comissão Europeia decidiu apresentar hoje o que chamou de "Quadro Europeu para a Resiliência Climática", que visa "proteger, planear e preparar a Europa para um clima mais quente".

Desde logo, a Comissão Europeia defende que é necessário que se passe a ter em consideração a trajetória de referência do aquecimento global "para a tomada de decisões em matéria de políticas, ativos ou investimentos", frisou o comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra.

Isso implica preparar a UE, seja a nível de planeamento das cidades, de construção de infraestruturas, gestão de água, para um aquecimento global de 3ºC até 2100, quando comparado com os níveis pré-industriais, advertiu o comissário, ressalvando contudo que o bloco vai continuar a "fazer tudo" para que não se ultrapasse o limiar dos 1,5ºC acordado no Acordo de Paris.

Na iniciativa hoje apresentada, a Comissão Europeia apresenta também várias medidas que visam ajudar as autoridades locais e regionais a lidarem com eventos climáticos extremos, entre as quais o que chamou de "Aliança para o Seguro Climático".

"Atualmente, apenas um quarto das perdas provocadas por catástrofes está coberto por seguros privados. Isto significa que, demasiadas vezes, os orçamentos nacionais acabam por assumir o papel de segurador de último recurso", indicou Hoekstra, frisando que o objetivo é "aumentar a taxa de cobertura dos seguros".

O executivo vai também desenvolver novas ferramentas digitais, como um "Visualizador Climático" que, através do sistema de imagens por satélite Copernicus, permitirá que as autoridades públicas percebam o que "poderá acontecer" e se consigam preparar quando está previsto um episódio climático extremo.

O pacote hoje apresentado propõe também a criação de um único "plano estratégico nacional", em vez de vários, que pede aos Estados-membros que estabeleçam "uma definição clara de quem é responsável pela gestão dos riscos climáticos" a nível nacional.

Na conferência de imprensa, o comissário europeu para o Clima defendeu que o pacote hoje apresentado é "uma iniciativa pioneira à escala mundial", mas salientou que a Europa não pode considerar que o trabalho está concluído.

"A UE ainda tem muito trabalho pela frente", avisou.

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