Billy Nash: "Portugal oferece uma variedade notável de estilos de vida"
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Billy Nash, consultor imobiliário de luxo norte-americano, investidor e apresentador de "Passport Properties", transmitido no canal Casa & Cozinha, esteve em Lisboa a gravar um episódio do seu programa.
O Lifestyle ao Minuto teve a oportunidade de conversar com Nash - considerado o 'Anthony Bourdain do imobiliário' - sobre a sua passagem por cá, que se focou no centro de Lisboa, Cascais e Sintra.
O que mais o surpreendeu quando começou a conhecer o mercado imobiliário português?
A forma como as opções variam numa distância tão curta. Podemos estar no coração de Lisboa, rodeados pela agitação da cidade, e depois ir para Cascais, com a sua costa espetacular, ou para a mística Sintra, para algo completamente diferente.
Já conhecia os três lugares de uma viagem rápida que fiz no ano passado, mas ter estado com os moradores, nascidos e criados lá, ajudou-me a compreender porque é que alguém escolhe um lugar em detrimento de outro. Mas adoro os três.
Já conhecia Lisboa, Cascais e Sintra antes de gravar "Passport Properties"? Com que perceção ficou destes lugares?
Sim, por acaso já tinha estado nestes lugares. Um voo de ligação de Marrocos foi cancelado, então, em vez de voltar para a Florida no dia seguinte, decidi ficar a explorar Lisboa. Foi aí que percebi que precisava de gravar um episódio cá.
Gravar foi diferente, porque não estava apenas de passagem. Passeei por Alfama com dois arquitetos, a Patrícia e o Vasco, estive em Cascais e Sintra com a Joana, especialista no mercado de imóveis de luxo, comi no Mercado da TIMEOUT e desfrutei de um jantar privado com a Marcela, que gere o JNcQUOI.
Mostraram-me pormenores que teriam passado despercebidos se tivesse vindo sozinho.
Tenho cuidado quando digo que um país é melhor que outro. O que Portugal oferece é uma variedade notável de estilos de vida
Houve alguma casa ou localização em Portugal que lhe tenha ficado na memória?
Não consigo deixar de pensar no passeio por Alfama. A história era extraordinária, assim como as cores, os aromas da comida, o fado e os sorrisos a cada esquina.
Não se tratou apenas de ficar parado à frente de uma casa espetacular. A Patrícia e o Vasco conseguiram explicar o que eu estava a ver, como o bairro mudou e o que as construções revelavam sobre as pessoas que ali viviam.
É este tipo de receção que procuro para a série e para partilhar com o mundo.
O que distingue, na sua opinião, o mercado imobiliário de luxo português de outros países da Europa?
Tenho cuidado quando digo que um país é melhor que outro. O que Portugal oferece é uma variedade notável de estilos de vida, algo que se percebe em Lisboa, Cascais e Sintra.
Quem quer comprar um imóvel precisa de perceber essas diferenças antes de se apaixonar por uma fotografia ou por uma morada. Devo dizer, no entanto, que a arquitetura e o trabalho artesanal em Portugal são notáveis.
A compra de uma casa no exterior é algo demasiado pessoal para se decidir por um catálogo
Se tivesse de convencer um comprador internacional a olhar para Portugal, que argumentos usaria?
Trá-lo-ia para aqui para que vivesse a experiência local, algo que eu próprio faço quando viajo.
Passear pelos bairros. Conhecer as pessoas. Jantar sem olhar para as horas. Beber vinho de uma garrafa sem rótulo. E aí sim, ver casas que combinassem com o estilo de vida que desejasse.
A compra de uma casa no exterior é algo demasiado pessoal para se decidir por um catálogo.
Lisboa, Cascais e Sintra oferecem experiências muito diferentes. Que características de cada destino mais o marcaram?
Lisboa tem a energia de uma capital - que eu adoro - mas os seus bairros mais antigos recompensam quem caminha sem pressa e presta atenção aos detalhes.
Cascais é moldada pelo litoral, como se fosse uma Riviera portuguesa.
Sintra tem esta relação extraordinária entre a arquitetura e paisagem. É quase como caminhar num sonho, mas acordado.
Quando criei o "Passport Properties", o objetivo nunca foi imitar o Bourdain. Ele era um génio, uma alma única. O que eu admirava nele era a curiosidade que tinhaPara quem vende propriedades de luxo, quais são os maiores desafios?
Mesmo um grande imóvel precisa do comprador certo. Os vendedores deverão saber aquilo que torna a casa especial, manter uma visão realista do mercado e estar preparados para responder a perguntas sérias.
A mais importante, que sempre faço aos compradores, é: "como é que este lugar fá-lo sentir-se?"
É descrito como "o Anthony Bourdain do imobiliário". De que forma vê esta comparação?
Quando criei o "Passport Properties", o objetivo nunca foi imitar o Bourdain. Ele era um génio, uma alma única. O que eu admirava nele era a curiosidade que tinha.
Ouvia, comia com as pessoas e deixava que falassem da sua vida. Comecei o "Passport Properties", porque via as casas como uma lente para observar comunidades em todo o mundo e revelar as suas histórias.
Se comprasse uma casa em Portugal, onde é que seria?
Em todo o lado [ri-se]. Adorei Cascais, porque amo o mar. Podia ficar perto da costa e, ao mesmo tempo, aproveitar a agitação de Lisboa sempre que quisesse. Mas viveria aqui por um período antes de comprar. O conselho que dou aos clientes, eu mesmo seguiria.