Berlim: Aliança de Esquerda em risco por divergências sobre Médio Oriente
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A possível coligação municipal para Berlim entre partidos de Esquerda sofreu um revés hoje, com os verdes e sociais-democratas a anunciarem a interrupção das negociações com a esquerda radical, vencedora das eleições, por divergências sobre o Médio Oriente.
"Neste momento, precisamos interromper as discussões exploratórias para avaliar se o nosso acordo da semana passada ainda se mantém", declararam os cabeças de lista dos Verdes, Werner Graf, e do SPD, Steffen Krach, após a constituição do grupo parlamentar local do Die Linke.
A questão, segundo os meios de comunicação alemães, prende-se com a permanência no grupo de Vanessa Emde, uma eleita de Neukölln, um bairro com grande população árabe, criticada, tal como a secção local do partido, pelas suas posições pró Palestina.
O conflito no Médio Oriente tem uma ressonância particular na Alemanha, devido às atrocidades do período nazi que o país viveu, e que levaram Berlim a promover a segurança de Israel como uma "razão de Estado".
Na quinta-feira, os três partidos, incluindo o Die Linke, tinham assinado uma carta "vinculativa" contra o antissemitismo, e reiterado defender "o direito de Israel a existir", condições prévias para o início das primeiras negociações visando à formação de uma maioria municipal.
Mas, o Die Linke concluiu hoje "outros arranjos dentro do seu grupo", lamentaram Werner Graf e Steffen Krach, que agora esperam da esquerda radical uma indicação. É preciso "que nos indique claramente em que medida pretende levar a sério e implementar os acordos que estabelecemos", afirmaram.
Na segunda-feira, o chanceler Friedrich Merz pressionou os seus aliados sociais-democratas no governo, afirmando que um acordo com o Die Linke em Berlim seria um "fardo" a mais para a coligação.
"O que nos preocupa profundamente é o antissemitismo muito difundido neste partido", precisou Merz.