Associação 25 de Abril condena ações repressivas contra manifestantes
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A Associação 25 de Abril condenou hoje as "provocações inadmissíveis" do poder e as ações "repressivas e inaceitáveis" perante os protestos pelo direito à habitação, enaltecendo os manifestantes por terem conseguido ultrapassar todos os ataques.
"Movido por um medo incompreensível do movimento protestativo, [o poder] reagiu com provocações inadmissíveis, a que se seguiram ações repressivas, de todo em todo inaceitáveis e fortemente condenáveis", afirmou, em comunicado.
Por outro lado, sublinhou que os manifestantes reagiram de uma forma não violenta e evitaram e expulsaram "alguns infiltrados provocadores".
A associação enalteceu assim os manifestantes por terem conseguido ultrapassar os ataques de que foram alvo, "sejam originários do poder, sejam provenientes de radicais extremistas".
No documento, assinado pelo militar de Abril Vasco Lourenço, que preside à associação, é ainda criticado o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, por fazer uma "nova provocação" ao querer obrigar a saída da "acampada" para instalar o mercado de Natal.
Para a Associação 25 de abril, esta decisão tenta levar os manifestantes para situações de intransigência, "daí tirando argumentos para novas repressões".
Vasco Lourenço pediu responsabilidade e apelou a Carlos Moedas para que instale o mercado de Natal noutro local, "colaborando para a pacificação da situação".
A acampada de Lisboa pela habitação decidiu hoje manter as tendas no Rossio durante esta noite, ficando em aberto a hipótese de desmobilização no domingo.
A decisão, tomada em plenário de delegados por mandato da assembleia popular, surgiu na sequência de uma proposta de Renata Cambra - o rosto da "tenda legítima" do Rossio, depois de uma decisão judicial - de as tendas serem retiradas esta noite.
Renata Cambra sugeriu que as tendas fossem retiradas esta noite e que até à próxima quarta-feira seja decidido outro local para a acampada. E também alertou para uma possível entrada da polícia no local para tirar as tendas.
A proposta não foi consensual e depois de muita discussão acabou por ser remetida para o plenário de delegados, um grupo mais pequeno de responsáveis pela acampada, que votou pela permanência no local esta noite.
A Associação 25 de Abril foi fundada, em 1982, por oficiais dos quadros permanentes das forças armadas.