As frases que ficam da carta de Cristiano Ronaldo... com Pelé à mistura
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Foi através de uma explosiva carta que Cristiano Ronaldo prometeu o que cumpriu e revelou na terça-feira todos os detalhes da polémica que envolve o seu nome e que resultou na saída do estágio da seleção de Portugal em Copenhaga, na Dinamarca.
Na longa carta divulgada nas redes sociais, o capitão da equipa das quinas revela uma conversa privada com Jorge Jesus e queixa-se do facto do selecionador nacional não ter cumprido a sua palavra.
Após essa conversa, que deveria ter servido para enterrar o machado de guerra e apaziguar os ânimos entre os restantes jogadores, o técnico deveria ter lido uma declaração, numa tentativa de amenizar a situação publicamente. O que, na verdade, ele não fez.
Cristiano Ronaldo pediu desculpas por toda a situação, mostrando-se disponível não só para cumprir um eventual castigo, como também para regressar aos eleitos de Portugal, caso o rendimento desportivo no Al Nassr assim o justifique.
Eis algumas frases que ficam da carta assinada por Cristiano Ronaldo:
"Apresentou-me, logo ali, um plano para a minha participação. Disse-me que jogaria o primeiro jogo e o último e que por razões de gestão física iria fazer sempre três a quatro mudanças por jogo."
"Não seria por não jogar os jogos no estrangeiro que deixaria de capitanear a nossa equipa. Esse privilégio de ficar em Portugal não seria um bom exemplo."
"O resto todos conhecem. Aqueci desde o intervalo, vi os minutos a passar e não fui chamado. O selecionador tinha-me falhado com a sua palavra."
"Não fui cumprimentar os adeptos. Uma falha que é apenas da minha responsabilidade e que não deveria ter acontecido. Peço desculpa aos portugueses que ali nos apoiaram intensamente, peço desculpa aos adeptos e peço desculpa aos que, sem serem portugueses, ali se possam ter deslocado para me ver e a quem eu possa ter desiludido."
"Passado 48 horas tivemos uma conversa, eu, o selecionador e o Simão Coutinho uma vez que tinha sido ele a acompanhar as nossas conversas de Agosto. Foi um momento profundo, muito frontal, sem qualquer tipo de filtro."
"O selecionador começaria a conferência de imprensa por este tema, procurando encerrar o assunto contando a verdade. Diria que nunca pedi para jogar minutos nenhuns, que foi o Selecionador e mais ninguém, quem me propôs o plano para este estágio e que foi um erro colocar-me a aquecer para não entrar e que se voltasse a acontecer não o faria."
"A postura não teve nada a ver com a nossa reunião, ouvi expressões e uma agressividade que julgo não merecer, uma atitude de quero, posso e mando que nunca me manifestou, nem de perto nem de longe, em privado, na véspera."
"Errei ao colocar alguém da dimensão de Pelé ou Maradona a aquecer para depois não o colocar em jogo. Se fosse hoje não o faria."
"Eu quero o Cristiano na seleção nacional. Aliás não quero pouco, quero muito. Felizmente ele também acredita em mim. Acreditou no Al Nassr e aqui também."
"Nenhuma destas notas dizia, portanto, que o selecionador me pedisse sequer desculpa. Era a segunda vez, que me estava a faltar à palavra dada."
"Nunca, em nenhum momento me intrometi em qualquer decisão técnica ou tática de qualquer treinador ou selecionador em quase 25 anos de carreira. Aceito é melhor ou pior o que me propõem fazer. Respeito a decisão e quando me faltam à palavra, sinto que o meu lugar não é ali."
"Devo também um pedido de desculpas aos meus companheiros de seleção por ter abandonado o estágio (...) Peço desculpa aos portugueses mais uma vez, mas a quebra da palavra tem, para mim, um impacto definidor."
"A consequência deste meu ato deve ser avaliada e punida pela Federação Portuguesa de Futebol. Entendo que a punição não deve ter atenuantes. Não sou um jogador qualquer, sou capitão de equipa e isso constitui uma agravante."
"Se estiver bem fisicamente, a jogar no meu clube, com golos espero, a seguir ao cumprimento da suspensão que me for aplicada, estarei disponível, como sempre estive até hoje, para competir e ganhar pela nossa seleção."