Angola exorta sistema financeiro a fomentar vantagens de África
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O Governo angolano exortou hoje os sistemas financeiros africanos a potenciarem as vantagens de África na economia global com mais financiamento ao setor privado que permanece limitado por insuficiência de crédito.
O apelo foi feito pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, na abertura da sexta edição da AFIS, a cimeira que junta durante dois dias em Luanda a finança africana.
"Making Capital Count: Unlocking Growth Through African Finance" - transformar a capacidade de mobilização financeira em crescimento económico efetivo é o lema da AFIS 2026, organizada pelo Jeune Afrique Media Group em parceria com a International Finance Corporation.
A sexta edição da AFIS junta na capital angolana mais de mil participantes responsáveis de instituições financeiras, bancos, seguradoras, empresas tecnológicas e organismos reguladores africanos e internacionais.
Na abertura dos trabalhos, o ministro José de Lima Massano observou que o mundo vive uma época de profundas transformações, marcada por incertezas geopolíticas, volatilidade financeira, fragmentação comercial, transições energéticas complexas e rápidas mudanças tecnológicas.
Para o governante angolano África entra nesta nova fase da economia global com "vantagens significativas", destacando a população jovem, recursos naturais estratégicos para as cadeias globais de valor e um mercado continental em construção através da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
"Contudo, a transformação económica depende da capacidade de atrair investimento, de converter poupança em investimento produtivo, financiar empresas competitivas, apoiar o empreendedorismo, desenvolver infraestruturas e criar oportunidades para os cidadãos", vincou.
O ministro defende que este objetivo depende de políticas económicas assertivas, mas também da qualidade, profundidade e eficiência dos sistemas financeiros africanos.
Massano alertou que o crédito aos setores da agricultura, indústria transformadora e pequenas e médias empresas em África permanecem limitados e insuficientes defendendo o aprofundamento da integração regional para a solidificação do futuro financeiro do continente.
José de Lima Massano explicou que os indicadores do setor bancário africano revelam uma realidade encorajadora. As receitas bancárias do continente ultrapassaram os 100 mil milhões de dólares (89,4 mil milhões de euros, ao câmbio atual) em 2024, com níveis de rendibilidade comparáveis aos dos principais mercados emergentes.
"Temos no continente instituições financeiras cada vez mais rentáveis, mas o crédito ao setor privado permanece limitado em muitas das nossas economias", afirmou.
O ministro angolano insistiu que setores como o da agricultura, da indústria transformadora, assim como operadores de pequenas e média dimensão, "continuam insuficientemente financiados".
Estimou que cerca de 85% do emprego em África se encontre na economia informal, considerando que esta realidade "limita a arrecadação fiscal e restringe o acesso aos serviços bancários e ao crédito".
O governante defendeu que a digitalização dos serviços financeiros, incluindo a utilização de soluções baseadas em inteligência artificial, pode contribuir para a redução de custos, criar novos instrumentos de avaliação de risco e assim alargar o acesso aos serviços financeiros por empresas e cidadãos que não dispõem das garantias formais normalmente exigidas pelo sistema bancário.
Para José de Lima Massano, a AFIS 2026 representa uma oportunidade de reflexão sobre os desafios que o continente enfrenta e, sobretudo, sobre as soluções que se devem construir para assegurar uma trajetória de desenvolvimento sustentável, inclusivo e soberano para África.
Defendeu, também, que o futuro financeiro de África dependerá igualmente da nossa capacidade de aprofundar a integração regional, recordando que os custos associados aos pagamentos transfronteiriços "continuam a representar um obstáculo ao comércio intra-africano".
O Sistema Pan-africano de Pagamento e Liquidação e iniciativas em curso de interligação dos mercados de capitais africanos, "podem aproximar (África) da arquitetura financeira necessária para acelerar a integração económica do continente".
Relativamente a Angola, Massano garantiu que o país está em profunda transformação económica, sinalizando que regista uma economia que se diversifica, que se abre ao investimento e à iniciativa privada e que apresenta um dinamismo crescente.
Aludiu às projeções do Fundo Monetário Internacional de abril passado que colocava Angola como a sexta maior economia de África, com um PIB nominal estimado em cerca de 152 mil milhões de dólares, posicionando-se como a terceira maior economia da África subsaariana.
"Mas, mais importante do que a dimensão da economia é a transformação que está a ocorrer na sua estrutura produtiva", sustentou, destacando que a agricultura e a pecuária, a indústria transformadora (...) "estão a assumir um papel crescente" na atividade económica nacional, disse.
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