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Acidente com 115 mortos: Espanha anuncia 30 milhões de euros em apoios

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                    Acidente com 115 mortos: Espanha anuncia 30 milhões de euros em apoios
Acidente com 115 mortos: Espanha anuncia 30 milhões de euros em apoios (Foto: Reprodução)

O Governo espanhol aprovou hoje a criação de apoios urgentes às vítimas do acidente ferroviário de Urda (Toledo) no valor total de 30 milhões de euros, anunciou o ministro dos Transportes e da Mobilidade Sustentável, Óscar Puente.

 

Os apoios foram hoje aprovados num Conselho de Ministros no qual também foi decidido pôr imediatamente em marcha um plano que inclui melhorias do sistema ferroviário em várias frentes, como inovação tecnológica, protocolos de controlo, segurança e recursos humanos, explicou Puente em conferência de imprensa.

Relativamente aos apoios, o ministro explicou que serão acumuláveis com as compensações dos seguros e pagos numa única prestação como assistência imediata às vítimas e adiantamento da indemnização do seguro de acidentes.

O valor global de 30 milhões de euros será dividido entre 15 milhões para auxílios urgentes e outro tanto para adiantamentos.

Isto inclui, por um lado, uma ajuda direta de pouco mais de 72.121 euros por pessoa morta e o mesmo valor como adiantamento do seguro.

Por outro lado, nos casos de lesões corporais, os benefícios são estruturados de acordo com a gravidade, com valores que variam entre pouco mais de 2.404 euros para ferimentos ligeiros e mais de 84.141 euros para os mais graves.

Segundo Óscar Puente, que recusou demitir-se, como reclamavam os partidos da oposição, o acidente em Urda, assim como o anterior, em Adamuz (Córdova), em janeiro, demonstraram a "necessidade imperativa" de reforçar o sistema e melhorar os seus protocolos de atuação em circunstâncias excecionais que possam causar danos irreparáveis à sociedade.

"Temos de reconhecer, e reconhecemos, a gravidade da situação e, por isso, estamos empenhados em trabalhar incansavelmente para alcançar e recuperar a confiança pública no transporte ferroviário de alta velocidade", disse.

Entre as melhorias a adotar, Puente avançou com o 'software' para os centros de controlo, que incluirá alertas automáticos, registos eletrónicos de chamadas, listas de verificação de validação e ergonomia visual melhorada para facilitar a compreensão da localização dos comboios e das condições da via.

Além disso, será criado um agente de inteligência artificial e um gémeo digital da rede para supervisionar o funcionamento do sistema, antecipar cenários, detetar anomalias e monitorizar as conversas entre maquinistas e controladores, facilitando o trabalho dos funcionários e minimizando a possibilidade de erro humano.

"Estamos a aventurar-nos em território desconhecido. Não conhecemos nenhum exemplo deste tipo de mecanismo ou tecnologia noutros sistemas ferroviários e, por isso, teremos de percorrer este caminho pela primeira vez, mas acreditamos que vale a pena", considerou.

Além disso, será implementado o sistema padrão da União Europeia para a sinalização (ERTMS) na linha Madrid-Sevilha, revistos os sistemas de segurança e modificados os protocolos de controlo e gestão, passando todas as decisões a ser tomadas numa central de controlo.

A Agência Estatal de Segurança Ferroviária irá também rever os regulamentos e o funcionamento do sistema e elaborar um estudo técnico com especialistas independentes para avaliar a introdução de medidas adicionais de segurança, o que obrigará a uma reformulação dos espaços para bagagem, que impeça que os objetos sejam projetados em caso de travagens bruscas ou impactos.

"Estamos a aproveitar ideias de sistemas de segurança utilizados na aviação, como as portas dos compartimentos de bagagem por cima dos assentos dos aviões. Pretendemos implementar um conceito semelhante nos comboios para evitar que as malas se transformem em verdadeiros projéteis em caso de acidente", explicou.

A reconfiguração dos bancos, dos materiais e do design também será estudada, embora o uso de cintos de segurança tenha sido descartado, uma vez que algumas organizações desaconselham a sua utilização para que seja possível uma evacuação rápida em caso de acidente.

O ministro afirmou ainda que as condições de trabalho dos controladores de tráfego aéreo serão melhoradas e os níveis de pessoal reforçados.

Entre outras melhorias, serão regulados novos períodos de descanso para os controladores de tráfego aéreo, ajustando-os aos períodos de pico de procura e estendendo os protocolos de controlo da fadiga atualmente em vigor para os maquinistas a outras funções críticas, como o pessoal de segurança em estaleiros de construção ferroviária.

O grande acidente ferroviário de Urda, Toledo, registado na quarta-feira passada, foi o segundo com comboios de alta velocidade este ano no país, tendo provocado pelo menos 115 mortos.

Espanha tem a maior rede de alta velocidade da Europa e a segunda maior do mundo, a seguir à da China, e soma agora 54% dos mortos em acidentes com estes comboios desde que o primeiro circulou em 1964, no Japão.

Dados e críticas sobre a maior rede de alta velocidade da Europa

O ministro dos Transportes de Espanha vai hoje ao parlamento nacional dar explicações sobre o acidente ferroviário de Urda, Toledo, que fez 115 mortos. O país tem a maior rede de alta velocidade da Europa e enfrenta críticas após dois acidentes em 9 meses.

Lusa | 08:29 - 03/11/2026