Acampadas, protestos e vigílias. O que acontece nos próximos dias?
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A assembleia popular da Acampada de Lisboa aprovou no domingo a desmobilização da Praça do Rossio, uma noite depois de a Polícia de Segurança Pública (PSP) ter avançado sobre os manifestantes em Lisboa e no Porto.
Mas os protestos pelo direito à habitação e contra o aumento do custo de vida estão longe de terem terminado. Os promotores da acampada consideraram que era importante fazer uma pausa para se focarem nas vigílias de apoio aos manifestantes detidos pela Polícia de Segurança Pública (PSP).
O movimento apelou assim, na noite de ontem, à realização de vigílias populares esta segunda e terça-feira, 26 e 27 de outubro, no Campus da Justiça, onde vão decorrer os interrogatórios judiciais.
Para hoje está ainda previsto o regresso ao Rossio. "Estamos na rua e vamos estar na rua todos os dias", disse ontem um dos porta-vozes do movimento Acampada de Lisboa, na assembleia popular perante uma Praça do Rossio quase cheia, com milhares de manifestantes a exigiram uma "greve geral de Espanha a Portugal".
Na terça-feira a plataforma Casa para Viver está também a promover uma manifestação junto à estação de metro da Trindade, no Porto, para exigir um Orçamento do Estado (OE) favorável à habitação e protestar contra a violência policial.
De acordo com uma publicação divulgada nas redes sociais, a plataforma refere que "enquanto milhares de famílias são empurradas para fora das suas casas pelas rendas e prestações incomportáveis, o Governo propõe cortar verbas no setor da habitação no Orçamento do Estado e reprime manifestações".
Assim, está a promover a manifestação, a começar às 18h30, para exigir o "fim imediato da repressão sobre quem luta pelo direito à habitação".
OE2027 debatido esta semana. E António José Seguro?
Além dos protestos já agendados, estão previstos movimentos na Assembleia da República (AR) e no Palácio de Belém que podem resultar num acentuar (ou não) da contestação.
O debate na generalidade da proposta de Orçamento do Estado para 2027 (OE2027) decorre na terça e quarta-feira no Parlamento, com a votação final global do documento, que o Governo entregou no inicio do mês, agendada para o dia 24 de novembro.
Já o Presidente da República, António José Seguro, que está a ser criticado devido ao seu silêncio quando à violência policial que tem ocorrido durante as manifestações, vai ouvir os partidos com assento parlamentar para audiências individuais sobre coesão social a 29 de outubro, um dia após a votação do OE27027 ser votado na generalidade. E quatro dias depois, a 2 de novembro, vai ouvir os conselheiros Estado. Será que é nessa altura que vai reagir? Fica no ar a questão.
Noite de violência terminou com 33 feridos e 31 detidos
Recorde-se que a PSP dispersou na madrugada de domingo, à bastonada e com recurso a cães, as manifestações pelo direito à habitação em Lisboa e no Porto, após mais de duas horas de tensão e ordens para que as pessoas saíssem e as tendas fossem retiradas.
Os manifestantes não acataram as ordens, invocando o direito constitucional à manifestação.
Segundo a PSP, registaram-se, no total, 33 feridos e 31 detidos por desobediência (25 em Lisboa e seis no Porto), que deverão ser ouvidos esta segunda-feira, 26 de outubro.
Na quarta-feira da semana passada já tinham sido detidos 55 manifestantes que alegadamente resistiram quando a PSP retirou as tendas da Acampada de Lisboa e que vão ser ouvidos amanhã, terça-feira, 27 de outubro.
Os manifestantes exigem a reversão da nova lei do arrendamento, o fim das demolições e dos despejos sem alternativa habitacional, um travão à aquisição de habitação por fundos imobiliários, o aumento da habitação pública, a recuperação de imóveis devolutos para fins habitacionais e tetos "verdadeiramente acessíveis" à renda.
Os partidos de esquerda criticaram a intervenção policial da noite de sábado e madrugada de domingo, pedindo esclarecimentos ao primeiro-ministro, Luís Montenegro, e a intervenção do Presidente da República, António José Seguro. Só o PSD, partido do Governo, e o Chega defenderam a atuação da polícia.